Friday, April 06, 2007
Árvores Cruas
Orgulho IV
O equilíbrio das pétalas aconchegadas no peito germina. Fazê-las crescer leva a não esquecer, de estar presente nem que seja com uma leve brisa junto daqueles que nos ajudaram a desenvolver. Pensar, estar, com essas pessoas só quando elas se vão, deixa a amargura nos lábios. Aí nunca mais poderemos dizer fisicamente o quanto elas são importantes. O mais significativo do percurso não é a quantidade mas sim valorizar a qualidade, nem que essa seja imensamente reduzida.
Quando li este post da Nin fiquei emocionado. Ela fez algo que muita gente não faz: esteve com o seu melhor amigo. Há sempre um segundo para dar a quem gostamos, e quem diz que não tem tempo e di-lo sistematicamente, é porque afinal não sabe o que é gostar dessa pessoa.
Manto
Os teus caminhos foram, e são de dor, não sendo eu capaz de reagir a esses indícios. O inevitável acontecerá. Estarei o máximo junto a ti o quanto eu possa…
Wednesday, April 04, 2007
Flutuação

Monday, April 02, 2007
Viagem
Sunday, April 01, 2007
Amo-te Lua...
Torci a Alma
Causando a ruptura,
Tropeçando na fractura…
Moídas a pentear as veias…
A força das asas bate.
A saia enrola-se nos olhos;
Os poros sulcam as marés;
Enquanto os dedos aninham-se
Nas pétalas da Lua…
Amo-te!

Pequeno questionário:
http://home.att.net/~slugbutter/evil/
Resultado: Pure Evil
Friday, March 30, 2007
Ultimado
Encontro a insanidade...
Decorar as vestes, desperta os feitiços.
Gota calcada no linho...
Gota sem interesse no vinho...
Adormecer por dentro; por fora a velejar.
Galopar a deslocação sobre o mar
Salienta a vivência acorrentada...
Exilado, o receio fica na prisão.
O carrinho, o silêncio...
Enganado pelas arestas, o beijo fica imóvel.
Rasgo a viagem,
A flexibilidade ocorre sem naturalidade....
Amargurado na imobilidade...
As imagens ficam ausentes...
Parto de mim, sem partir de mim...
Ultimado...
Monday, March 26, 2007
O romance do baloiço...
Tuesday, March 20, 2007
Carta
Venho comunicar-lhe ao sabor do vento que espeta os devaneios, os seus círculos amargos são tempero do granizo. Isto foi-me comunicado quando estava a engolir as ervilhas, uma por uma. Pode parecer-lhe algo doentio, mas cada uma delas tem uma expressão única, e além de ser única transmite mensagens de uma dimensão que não pode ser tocada por seres normais. Quando falo normal é no contexto dos seres que andam a deambular sempre da mesma forma. Uma média sem sentido nenhum, que se usa na normalização para deixar as pessoas na mesma caixa, e as outras em sítios que não façam ruído para os restantes. Após esta breve explicação de onde provém a comunicação vou passar à restante informação.
O granizo está a perfurar as rodas do tempo que tanto fale. Não deixa de ser verdade que andar com rodas furadas pode fazer com que o ruído seja uma melodia interessante. Neste caso faz-me comichão aos meus tremores. Quanto à amargura, o realismo deixa a bailar até à ponta de unhas não pintadas, a mostrar as tripas dos infiéis.
Não vou estar a divagar muito porque como sabe isso compete à sua pessoa. Embeleza demasiado a pureza que vai dentro da sua Alma, por isso prevejo nos seus olhos um corpo a espalhar pétalas aos amantes de outros seres. Queria apresentar a sua auto estima à loucura, a sua mente ao rio, e aí o seu sonho seria realizado. Eu sei qual é a sua maior fantasia. Sei sim. Apesar de nunca o dizer sei o que vai no baú de teias de aranhas. O silêncio mata-o Não uma morte qualquer, mas sim uma morte com um sorriso. Tudo passou a ser estatística na qual compete a si a modificação daquilo que não pode modificar.
Vou de encontro a si para lhe arrancar o coração. Não pergunte como o vou fazer, somente deixe que seja posto num caixão de gelo. Aí estará seguro... Por enquanto não tenho mais nada a registar por isso irei à sua procura. Sabe que não poderá escapar. Sabe disso não sabe?...Hummmmmm...
Comprimentos melancólicos,
Assinatura: DarkViolet
Sunday, March 18, 2007
Cogumelos
Tuesday, March 13, 2007
Corvus Corax
Deixo o site da banda: http://www.corvuscorax.de
Gostei especialmente a oportunidade de poder ouvir o som de alguns instrumentos utilizados. Vão a “Music”=>”instruments”.
Saturday, March 10, 2007
Ribeira
Tenho o peito ao vento quente que me atiça a suavidade. As folhas começam a sair, as flores das camélias estão com as cores na direcção dos raios, o crescimento ocorre. O sol entra forte no fim do Inverno, e tudo gira em torno dos sons épicos. O movimento do nu fascina o olhar. Tenho que encontrar uma ribeira para me banhar e colocar a melodia a fervilhar…Uma ferida selvagem num espaço desconhecido…É isso que vou procurar…
Friday, March 09, 2007
Thursday, March 08, 2007
Vendaval
Fixo o gelo das folhas;
O gemido terno sai profundo
Em escolha de folhas geladas...
Sacrifico o som, tom, dom...
Abro a sepultura da inocência.
Varro o céu da clemência.
Navego num caixão aberto,
Acompanhado por um fio de pedras;
Subo ao patamar das portas fechadas
A plantar flores somente para mim.
Nas escarpas enroladas
A maré decora o manto da chuva...
Monday, March 05, 2007
Saturday, March 03, 2007
Friday, March 02, 2007
Moon Tear
Thursday, March 01, 2007
Doce Demónio
Agora és livre doce Demónio. As correntes da sensibilidade estão cheias de ferrugem e os sentimentos encontram-se afundados em poços sem fundos. Assim não tens que te preocupar em embelezar pérolas de melodias. Soa que isso te sufoca, não é?!Deixa essa tua realidade de lado, não é isso que as pessoas querem encontrar, muito menos aquilo que poderão fantasiar num mundo de ilusões. As metáforas são difíceis de descodificar, o labirinto sem entroncamentos, o perfume com essências que deambulam com o vento onde encontram ruelas demasiado afuniladas. Os inexplicáveis contornos sentimentais que flúem na rapidez dos segundos são o massacre da memória, por isso és livre neste mundo “civilizado”. Vai dilacerar a tua Alma...
Wednesday, February 28, 2007
Olvidar
Na letra dum devaneio...
Impregnado na escravatura
Ignoro os gemidos.
Somente devoro tua Alma.
Pinto o caixão num medalhão
A fervilhar o sangue do veneno
Irradiado na escuridão...
Rasgo o nevoeiro do licor
Onde o ostracismo mergulha...
Vês a face do vazio;
Não sentes nenhuma metamorfose,
Nem profundidade, nem fuga...
Encontro-me dilacerado
A olvidar a navalha.
Ela não perguntará por ti...
Tuesday, February 27, 2007
Amor de Filho
Sunday, February 25, 2007
Verter
Saturday, February 24, 2007
Chapinhar
Enrolado na beira das falésias.
Paletes de ciclones
Alertam a intuição:
A muralha enfeita a cortina
Junto ao bosque
Onde os predadores aglomerados
Ouvem a ausência da letra...
A noite nasceu dentro da madrugada;
Estremecida força,
Túnel profundo.
A lamparina esqueceu o mergulho;
Perco a vista,
Ganho a voz...
Chapinhar na escuridão...
A sobrevivência...
Friday, February 23, 2007
Contido Estrondo
Calor frio em gelo quente
Vazio despido vestido consentido
Sentimento contido
Imensidão transparente
Ausente sensação
Transbordar num reflexo
Aperto sufocante que chove na palma da mão
Gemido ouvido corrido
Corpo perfumado esfumado
Caixa de musica
Melodia unica...
Duende

Sinto falta das pétalas a caírem em simultâneo.
Wednesday, February 21, 2007
Troncos de Fogo
Friday, February 16, 2007
Teias de Saudade
Saudade...Mistura...Licor...
A esperança das estrelas
Nas camadas das teias,
Cai a lágrima...
Arranho a sombra das fragas
A deixar os relâmpagos arderem
No ventre das folhas secas...
O percurso das vibrações
Estica o robusto olhar...
Sobe o tom, bate o coração...
O medo treme,
Impotente, estrela cadente...
“Ninguém está aí...”... Aqui...
“
....
I am the mistress of loneliness,
my court is deserted but I do not care.
The presence of people is ugly and cold
and something I can neither watch nor bear.
So, I prefer to lie in darkness silence alone,
listening to the lack of light, or sound,
or someone to talk to, for something to share ...-
but there is no hope and no-one is there.
…
“
Sopor Aerternus - No-One is there
(Música em baixo)
Último olhar pousado nas mãos...
Thursday, February 15, 2007
Vitrais Coloridos
A rabiscar nas chaves dos céus
Contornos que os sonhos pintam...
As nuvens pingam pés floreados;
Uma onda de saltos distantes...
Um caminho entrelaçado nos jardins...
Uma viagem pela beira do carrinho...
Cada ano transpira os vitrais
Numa cidade de transparências.
O momento é feito para brilhar
Para tocar notas de pétalas.
O segmento perfeito da profundidade colorida...
Um feliz dia de anos prima:)
Tuesday, February 13, 2007
Matraquilhos

Monday, February 12, 2007
Perfume
De madrugada caíram pingos de chuva fresca onde molharam o meu corpo despido. Os dedos de fraqueza rasgaram a pele deixando seu odor perfumar as veias desejosas de poderem serem orvalhadas. O canto perfurou o que é o sismo fez tremer...
Sunday, February 11, 2007
Riso do Rio
Num rasto das notas pingadas
Um som silencioso de relâmpagos;
Uma serenidade de prisioneiros libertos;
Um violento sopro para solidificar geadas;
Sinal da ausência pendurado nos soluços…
Rio do riso pergunta pela onda…
Riso do rio pergunta pela dona…
Friday, February 09, 2007
Alçapão Latente
Ardente
Poente
Latente
Mãos Esculpidas
Sótão
Escuridão
Alçapão
As correntes escapam ao esquecimento; mãos ou pés têm sempre um dom de enriquecer o espírito. Ouvir o som da ave a sobrevoar outros mares, os toques do silêncio a chilrear as harmonias em momentos únicos, são banhos húmidos de prazer. Livres voam os anjos por não saberem tocar... Porventura não valerá a questão?...
Wednesday, February 07, 2007
7Unhas Negras7
Quando se sente o corpo a gelar
A Alma entra em combustão
Agreste sem cessar no meio dos trovões
À espera de ir num sopro do vento árido
De ir num olhar
De correr nas luzes espalhadas
Longe...
Abre-se por dentro os cabos esticados
Uns atrás dos outros
A tentar falar por entre linhas esquecidas
...Fogo de água cai no esboço...
...Uma tela...
...Unhas pintadas de negro...
Monday, February 05, 2007
Eutanásia
Pensei e repensei no assunto para chegar que a conclusão que porventura poderia chegar iria ser demasiada confusa dando cabo da minha mente. Esticaria minhas células até ao limiar da insatisfação, nunca mais poderia sentir o eco do alimento a retalhar o escondido som, esmagando os restos da minha insanidade. Estas linhas não me estão a ajudar nada e fico somente com uma certeza suspenso no elemento retido da Alma. “Who am my to disagree?” Abuse me...Crio a semente rasgada do olhar, não pergunto a cor do inferno nem em que ponto a brasa começou a existir e se no meu coração correm veias feitas de pó. Sim ou Não...A resposta está toda na pergunta não formulada, onde só ocorre a questão fundamental: legalizem que o feto tenha a oportunidade de poder praticar a eutanásia. Aí poderei votar com consciência tranquila porque o meu voto seria inútil.
P.S: O texto não é para ser levado a sério.
Sunday, February 04, 2007
Brutal Cal
Capítulo brutal.
Inacabado ao suspiro.
Por dentro do silêncio
A massacrar os lábios da nudez
Desfilo nos húmidos pedaços.
Num rasgo do desfiladeiro
Ofusco o som cercado…
Ergo a invisibilidade
Da transparência de fogo
Até ao portão de grades vendadas…
A gemer de prazer…
Estremeço com espinhos cravados.
Do mal fatal dou uma foda aos sentidos…
Onde cresço ao sabor da Bruma.
Friday, February 02, 2007
Cristalizar o Voo
Um ano de Luas
Onde a sensação mergulha
Embrulhada nos feitiços...
Restolho permanece nas geadas
Dobrado em silhuetas
Para criar ventanias vazias
Mão enrola a Alma
Inconsciente pé
O Paciente desassossego
Coração de bolhas
Acarinha a montanha...
A neve, a fantasia...
Escamas de folhas
Rasgam o que a mão amanha...
Leve, a magia...
Cristalizo o Demónio...
Voar...
Orgulho III
Os caracóis enrolados saltam na pele dos segundos, árduos e secos a contemplar o horizonte. Dum fresco toque descai a manhã nas lagoas da metamorfose, um sopro, uma miragem de sentimentos, uma viagem contida. Percorro o altar do sentimento na criança do canto melódico, a encontrar as beiras do vento ao som do luar. Saem fogos pelos longos cabelos, começo a devorar as faíscas das translações das campas, um estrondo monumental de trovões rabiscam a porcelana partida. Roer texturas dos pedaços de sangue da moldura; caio no esboço do meu rosto a revirar páginas antigas, a morder apontamentos de notas. De longe para perto a magia entra em mim, contemplando um lugar, só. A noite pingada por uma gota onde o coração explode no medo reflectido, sobrevivo a rasgar escavações percorridas pelas ruas da memória. Uma beleza de profundezas a tocar a embriaguez do paladar, o veneno da corrente que perfuma a minha pele, navegando num ruído estreito. A Lua aninha-se nas fissuras da minha carne, atiro a liberdade da lareira e espreito a palma da mão...
Não há tempo. Parabéns ao tempo!
Sunday, January 28, 2007
Suavidade Embriagada
Arranco sons à tentação
Misturo vibrações
Dilacero o inferno...
Longas luzes penduradas
nas notas do piano
a virar esquinas das cordas...
Retiro o baú à suavidade
Trinco o distraído tempo
Levo o nascer da brisa
Ondulo o dedo
Faíscas de nevoeiro…
Pautas embriagadas.
Friday, January 26, 2007
Deslizar
Num fresco mergulho.
O Gigante enevoado pergunta ao suspiro:
Donde a água desbota?
Transforma-se o sumo em veias...
Rende-se a madrugada às escavações...
A melodia enche os patamares da memória
Revestindo fios de água
Cobrindo de lama os desejos...
Adormeço despido nos braços
Das cavernas...
Repouso impaciente no espelho...
(Fotos dos subterrâneos do Porto. Entre outras coisas servia para abastecimento de água)
Tuesday, January 23, 2007
Surdas Mãos
Em eternos enterros precoces
Teço a teia na escuridão
Enquanto sequestro a surda palavra
Momentos únicos à margem
Segmentos rondam a viagem
As velas da noite assombram o tormento
Imaginei o esqueleto das pétalas
na nota duma nuvem
Salpiquei pedras nos rabiscos
duma folha de carvão
Pintei pontes em grutas
Nasci na âncora dum filamento
Sopra o esboço das lagoas
Esvoaça a cor sem mãos
Monday, January 22, 2007
Quem eu sou?
" O homem põe a sua ventura e a sua glória no que o atormenta." Francis Bacon
Thursday, January 18, 2007
O Velho
No arco da flecha vidrada
A noite retém o suspiro.
Donde vens velho?!
O Bosque melódico além...
A Capela de pedra que vêm...
Junto ao tronco da dor
Esvoaçado pelo mar,
Dormes tranquilo.
Compasso sem tino nem passo.
O pensamento tem asas negras?!
Unido pelo silêncio do vento
Tua Alma encostada
Faminta ou devorada
Não encontra repouso.
Roda nos socalcos do rio
A loucura virgem sem pio.
Bebes de ti?!
Abandonado ou resguardado
Penetras a palma da mão
A montanha do aconchego
Chega sem florir...
Tuesday, January 16, 2007
Hoje!
A chuva cai miudinha no meu colo, contornando o cabelo para formar uma mancha de embarcações esféricas. Deslizo os dedos no orvalho, a transpirar a pele, a rolar no espaço permutado pelo perfume. Ancoro na extensão dos filamentos da natureza, naquela transparência que floresce vinda do céu a deixar seu rasto húmido. Olvido a minha própria existência, olvido a cor dos pesadelos, olvido o quente sangue. Sou possuído por esta suavidade e descaio do meio das nuvens para o odor da terra. O cheiro de fogo traça diabruras no rosto, aberto ao borbulhar das gotas. Extraio a essência da pureza.
Amanhã!
Monday, January 15, 2007
Cortinas de Fumo
Na palma inversa do riso;
Abrir cortinas de regaços
Ao virar o discreto manto
Para perfumar ondas esqueléticas...
Do baloiço cortante
Ouviria o bailar das mãos
Enternecido a levitar chamas,
Pendurado nas bolhas de cordel
Que desfilariam no delgado mel...
O odor do Porto penetra
Nos ramos de fumo
Pedir perdão ao coração...
Sunday, January 14, 2007
Pecados de Pedaços
a desfolharem lágrimas…
Sabes sentir os murmúrios
dos charcos…
Sabes ondular a lua
no colo…
Sabes que o saber torna vulnerável
a tua própria sabedoria…
Entranhas pecados feitos de pedaços
A sussurrar as pedras do caminho….
…geladas para ti…
…cristais para outros…
Friday, January 12, 2007
Trovões Gelados
Dos dedos enterrados cai chuva...
Do pensamento aberto pintam toques...
Das pétalas olvidadas o vaso acarinha...
Abençoai as torres colocadas em redor
Do corpo crucificado...
Abençoai a lágrima das flores
A regar licores...
Seguro o pólen dentro da Alma
A ramificar, a derramar, a esventrar,
O canto de castelos enevoados...
Amparo trovões gelados
De quentes encostos bravios
Submerso nos feitiços de suspiros
Wednesday, January 10, 2007
Manto de Pétalas
Friday, January 05, 2007
Uivo
Para Arder os olhos nos encontros
À espera de mãos cruzadas
A abraçar o sossego...
A roda das cabeças com tormentos
Chega a saltitar na invertida imagem, miragem...
Demorar o suspiro alimenta o peito enigmático
E da meiguice fico isento,
Voando resguardado num assento.
Num uivo de Lobo que esperneia
Cheio de brandura na colmeia
Forma-se visões com fissura de teia
Thursday, January 04, 2007
Wednesday, January 03, 2007
Saturday, December 30, 2006
Tempo
- 30 anos e nasci numa Terça-Feira
- 359 meses
- 1567 semanas
- 10973 dias
- 263333 horas
- 15800000 minutos
- 948000057 segundos
- 948000063094 milisegundos
Friday, December 29, 2006
Areia
As gotas irromperam nos anéis, escaparam por fios soltos pendurados num traço de estrelas. Caminham por um destino que não compreendo mas que o silêncio ajuda a matar. Esse vazio preenchido que não rega os fragmentos, deixando-os apenas a soluçar na escuridão. Quem segura cada brilho têm a solução, no bolso da imaginação.
“Que na tua árvore de Natal brilhe a magia, o amor, fé, vontade, desejo, liberdade, sucesso, a felicidade e um novo ano de luz e esperança”
Ao dormir os sonhos apoderam-se de mim e vejo uma árvore descaída pelo monte. Grandiosa nos seus ramos, nos enxertos que povoam cada estrutura de feitiços e nas folhas de variadas cores. Por vezes encanto-me nas tentativas de fazer crescer novos ramos, diferentes ou contagiantes. O rasgo feito na superfície, a moldura de terra que se esboça para evoluir, os diversos tamanhos de encaixe e o tronco grosso permanece a levar com o vento de furacões. Alguns enxertos partem-se, partem, viram perda ou pedra. Por vezes florescem sem saber como nem onde, alguns caem e nascem nos pés do grosso tronco. Ainda há outros mesmo estando metido numa essência confunde perfumes. Há múltiplas variedades de raízes na terra e no ar. Mas....
A areia gelada
Ardia no fogo de artifício...
Abismos de calores
Falésias de silhuetas...
Viva o ano 2007 que começou há uns milhões de anos atrás.
Thursday, December 28, 2006
Moleiro
Rendilhada pelas janelas abertas,
Fresca a congelar de suspiros.
Do perfume que emana fica
No colo do corrimão, arrepiado pelos sons
Fugidios de escapar ao despercebido.
A coragem dilui-se nos rios
Negros do olhar, a desabar orvalhos
Húmidos, a revolver o toque da brasa, resvalado
Nos pedaços estilhaçados.
Cai chuva, chuva miudinha cai...
Ouve-se a bengala do silêncio...
Douro, Tejo...Tejo, Douro...
Vêm aí o Moleiro.
Vapor
Sentado...
De leve dou cambalhotas,
Balouço – Dormito a olhar...
Silêncio contínuo a trovejar
Selado como pólen, colorido como pétalas...
Apenas transparente – Silencio...
E corre a semente no pousio
E corre o vento no sabor da espuma
E dorme a corrente do rio
E dorme o advento da pluma
Thursday, December 21, 2006
Solstício de Inverno
Picos
Minha Alma requer...
Geladas de pedra,
Riscadas, rasgadas...
O deslize ausente,
Ciclo permanente,
Sufoco fervente...
A afeição mergulhada
Pelas montanhas fundido,
Os pirilampos brincam
Na ponta dos dedos...
A lareira de véus
Aquece a ossada...
Sussurro...Sussurro...Sussurro...
Wednesday, December 20, 2006
Orgulho (Parte II)
A vela arde entre o silêncio e o vazio, enterrada nas campas cheias de flores. Nuns olhos escondidos na terra, o calor desfila nesses dois meios, a prolongar sons que se vão repetindo. Não posso criar lava no tremor do tempo, não tenho tanta magia entre os frios dedos. Esses terrenos sem glória, no perfume nefasto do orgulho, os pés pisam e rebolam nas nuvens de fumo que sai por entre os meus lábios. Faz frio; não dentro de mim.
Os ramos secos são belos, mais verdejantes que o ser humano. Os galhos partem-se e já não se ouve o estalar desses membros, as folhas não estão presentes e ninguém quer saber, os troncos são grossos e os círculos estão torcidos. Olho para a palma da mão, sinto a doçura; olho para a árvore, sinto a vida a pulsar. Só no entrelaçado das vertigens, somente a aspirar minha voz, somente a cortejar meus poros. Tudo funciona assim quando ele quer vencer.
Sunday, December 17, 2006
Melodia
Alegria das velas coloridas...
Abri um poço, oco, a neve cai...
Quente pintada, adocicada, maltratada...
Das folhas, secas, galhos nus...
O mar castanho na erva fica,
Montando o manto, cobrindo o espanto...
A melodia ria, enquanto ela dormia.
O dia despia, da noite fugia...
Ó santa e impura inquisição, ainda queimais corpos?!
Saturday, December 16, 2006
Sopro
Gelado, quebrado, vidrado...
Bálsamo de tentações a fumar na bruma.
Torcido, entretido, esquecido...
Armazenar pigmentos nos raios lunares.
Retornais às lanças de círculos, aos pesadelos
Da busca incontornável do pó...
Sentis a vontade ao cair das tentações,
E aí levantais o sopro das falésias...
A minha saliva arde…
E entretanto faço tapetes projectados nas sombras
Num Crucifixo de gelo dissolvido...
Thursday, December 14, 2006
Parabéns!
São sensações que passam na minha Alma neste dia 14 de Dezembro. Poderia ser mais um dia, mas é o meu dia. Acordei neste dia onde as estrelas piscaram o olho, abrindo portas dos toques, vibrando na harmonia do cavalo voador. As conchas abrem-se à sua maneira, sem controlo, com a seiva de sulcar fendas de fogo, e no mar aninhando sua frieza repousante. Estas batidas batem num compasso melancólico, num sentimento único que passa a Alma, que trespassa o perfume das cores. Faço um monólogo de bolas de cristais para pingar das luas um morcego de asas negras. Sou eu...Só eu...Muitos Parabéns DarkViolet!!!
Wednesday, December 13, 2006
Pincéis

Montam cores à volta da roda,
Gira a hora sem pressa de ir embora...
Círculos dos atalhos de fogo cercam o orvalho,
Montados em sopros de pincéis,
Empedrados em chamas,
Num toque de sentidos escondidos...
Milagre oculto, fonte aberta, secreta...
Regaço abrigado, poços de mistérios,
Soalho dobrado estala na esquina...
Sons, visões, feitiços...
O espaço amplo da magia.
Descida ao Céu
Por caminhos de pedras, a água escorre por dentro dos musgos, rasgadas nas folhas outonais o vento leva aos muros as cascatas voadoras. Abre-se os bicos das aves, e os cantos dos charcos, dilui-se as cores, corre-se para o fogo com vestes de telhados de ramos.Percorro só este caminho estreito, selvagem na delícia da pedra encharcada, agreste na silva que decota minha pele. Os pés encolhem-se no entrelaçado da vegetação, pintalgando o rosto de entranhas para suavizar a descida ao céu. Formam-se remoinhos no meu altar, descascado em ternura pelos odores das valas abertas. O esplendor do único sentimento rasga a Alma, cortejando espinhos de verdura, naturais como vitrais onde desaguam sorrisos. Ninguém chapinha nestes cordéis, enfiados nos filamentos de labirintos. Cego das asas que se seguram, levanto voo...
Monday, December 11, 2006
Tocam os sinos
Para devorar derrocadas caídas
Os sinos tocam; 3 dias faltam...
Sagrados talismãs, histéricas romãs...
O nevoeiro toca o fumo,
Abraço de vento, orgulho sem assento
Retornar aos sorrisos...
Retornar aos jazigos...
Derrubar assombrações, cobrir maldições...
Encher os corações...
Veste o negro doce demónio...
A tua Alma é grandiosa...
Saturday, December 09, 2006
Thursday, December 07, 2006
Vertigens
Mirando o canto da sereia,
Tocar o som desconhecido
Da pele rasgada, aberta veia...
Demónios contemplam as fragas,
Escarpadas vertigens reunidas
O amainar inquieto da cria
No baloiçar da luz bravia
12 véus nublados...
Tuesday, December 05, 2006
Espírito de Carnaval ou Natal...
De Deus e da Santíssima Trindade
“Quem é Deus?
É um espírito infinitamente perfeito e eterno. Senhor supremo, a quem devemos amar; criador e governador do céu e da terra, nosso legislador e remunerador.”
(Ainda bem que existe tal ser...)
“Onde está Deus?
No céu, na terra e em toda a parte.”
(Que grande trabalheira....)
“Quantas naturezas têm Deus?
Três.”
(Só?...)
“Quais são?
Pai, Filho e Espírito Santo.”
(E a mãe onde está?...)
“O Pai é Deus?
É.”
(E a mãe?...)
“O Filho é Deus?
É.”
(Nem pergunto outra vez....)
“O Espírito Santo é Deus?
É.”
(O Banco?...)
“Então são 3 Deuses?
Não são; mas são 3 pessoas distintas e um só Deus verdadeiro.”
(Pensei que o Espírito Santo não era pessoa...o verdadeiro ou cordeiro?...)
“Cristo enquanto Deus tem pai e mãe?
Enquanto Deus tem pai, não tem mãe; enquanto homem, tem mãe e não tem pai.”
(Eu bem sabia que havia uma mãe algures...)
“Que nome toma a hóstia depois de consagrada?
Chama-se o Santíssimo Sacramento.”
(Um pedaço de pão alimenta assim tanto?...Um dia tenho que a provar apesar de não ter a comunhão..)
Monday, December 04, 2006
Regar
Quebro sobre as pernas;
Erguido nas falésias
Penduro os olhos secos.
Cada pedaço rasgado
É devorado pelas cinzas,
Amigas dum desassossego,
Cúmplices do cálice eterno...
Derreto na leveza duma nota,
Fico esculpido no meu rosto,
Prateado na sombra da Lua,
Dentro dela, sufocado nela,
Ardo sem cessar,
Sem regar a lágrima...
Tuesday, November 28, 2006
Trovões Silenciosos
A salpicar orvalhados altares...
Arrepio o cabelo assediando as criaturas
Que provém do jazigo,
Embriagadas nas vestes púrpuras,
A divagar na vigília da Alma...
Deliro a cantar a fúnebre marcha
Oferecendo folhas ao meu corpo,
Nesta escada coberta de chamas.
A carne ferve nos salpicos,
Orgulhosa e contagiante,
Com cascos de trovões
A desfalecer nos lábios...
Monday, November 27, 2006
Esfera
Friday, November 24, 2006
Frasco
De vaso em vaso...
Rebentais nas cinzas
Mortas de felicidade...
Procurais povoar pétalas
Nos círculos do tempo...
Caminhais com pés descalços
Em imaculados frascos...
Atravessais memórias enfrascadas
A perguntar os ouvidos esquecidos...
Tocais faces escondidas
Nas magias nubladas...
As viagens cobertas de sonhos,
Dos licores seguem perfumados,
A trotear essências internas...
Thursday, November 23, 2006
Fantasias
Rasgadas em paisagens regadas...
As lanças nubladas florescem pecaminosas...
Ruínas de arpões encapuçados...
Repelentes olhos, armação de pó...
Garras dum caixão de perfume...
Fantasias, antiguidades, cor de ventos...
Camadas sobre mundos escondidos...
Suavidades em terramotos...
O som olvida a memória
De braço limado no véu...
A leveza fugidia...
Monday, November 20, 2006
Anos 80 - Uma topologia - SERRALVES
Um espelho, um punhal...
Trespassar as fotos com o movimento...
Livros homogéneos em 8 prateleiras...
Tinta levantada a ondular...
Orquídeas de chamas a cavalgarem...
Tijolo cinzento, cordéis de escadas enlaçadas...
Painéis duplos, cortados em janelas abertas, fechadas...
Olhos esbugalham, o pescoço contorna...
Pasteis de cores no terço...
Mijam na cama, mijam da cruz, sepultam-se nos pregos afiados...
Destroços queimados nas chaminés esfumados...volta...
43 contemplam o enforcado...
Tronco cicatrizado, fendas abertas dormitam...
Qual sapato calças?!
Gaiolas floriadas nas linhas de comboio, piano tocados em sons de saxofone, carvão embalado nas carruagens...
Ouvidos, murros, inversão...
Arrasta-se o mundo pelos pés, tocam desertos de informação, devora-se...
Harpa de odores africanos...
Discos de infinitas personalidades, tapadas, árvores despidas, espalhadas...
No muito tempo a melancolia afundou espinhos, circuncidados o dourado, ofuscou o vazio das enchentes de pessoas, empilharam camisas, romperam os sentidos...
Calcam rostos, voam caracterizações de sorrisos de crianças...
“Hello! I’m Jimmie Durham.”
Ossos de jaulas, a dormitar em círculos...
Vestir árvores...
Tuck...Tuck...Atchim!...Tuck...Tuck...
Tens um punhal no coração?!
Pescaram mortos, colheram a inversão...

Friday, November 17, 2006
Seduz
Na madrugada, o vapor da espuma toca nos pedaços de cordas a beliscar viagens de fogo que aquecem as velas do prazer. Escavar perfumes entre ramos, incendiar aberturas de chamas, resvalar nos labirintos do ardor. A suavidade da delicadeza penetra os mantos de rugas, abrindo espaços de luta, carregando mar fervorosos, esculpindo sombras de cores. Voar em teimosos ruídos que sulcam tortuosos lamentos, feitos e enlaçados em sorrisos. Veias de fendas feridas, o simples saborear dum sopro, o alento desdobrado em trovões, o imaginário da realidade saltitante. Reconhecer os ligamentos num cheiro, no fim do medo. O suor pestaneja numa melodia! Thursday, November 16, 2006
Gritos

Tuesday, November 14, 2006
Pêndulo
Thursday, November 09, 2006
ASSIM FALOU ZARATUSTRA II
"Os maiores acontecimentos não são as nossas horas mais barulhentas, mas os nossos instantes mais silenciosos" 129
"Um leito medíocre aquece-me mais do que um leito rico, porque sou cioso da minha pobreza. E é no Inverno que ela me é mais fiel.
Começo todos os dias por uma maldade, rio-me do Inverno tomando um banho frio: o que faz resmungar o meu severo amigo." 169
ASSIM FALOU ZARATUSTRA - NIETZSCHE
Tuesday, November 07, 2006
ASSIM FALOU ZARATUSTRA I
Monday, November 06, 2006
Fugitivas
Ó fugitivas estrangulais a expressão;
Dos túmulos sagrados que estão enterrados!
Não arriscais a vossa destruição,
Somente sentadas esqueceis o coração.
Adornam ardentes os olhos de paixão,
Ó fugitivas duvidais da própria criação;
Dos antigos rituais deixai-os embriagados!
O rio ensanguentado da vossa perdição
Abrirá fendas na justificação.
Ó fugitivas que sois inesgotáveis...
Ó fugitivas da renúncia...
Ó fugitivas, a chuva cai na Lua...
Thursday, November 02, 2006
Últimos Poemas Esquecidos De Outubro III
Sacrificaram a intensidade de tragédias
E nas palavras dispersas, rasgaram o vento
No meio de trovões, punindo os dias
Que se perderam num sopro, num alento...
Da noite deflagram fogueiras esqueléticas,
Areias quentes sentidas na moribunda sombra
A enroscar, a contorcer, a esquartejar, esquizofrénicas
Nuvens que se escondem na penumbra.
Os picos singelos vestidos de mancha quebrada
Furam pelo tempo, fardados...Aí ouve-se
Algo....O alisar contraído do vidente...
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Constrangido
Os bordéis são vossas tocas.
Encheis de álcool os excrementos
Em volta de remoinhos,
Engolindo falsos risos.
Do beber trocais
Para do nada fugir,
Para um baú oco com remos ir.
Até que incendiais o fogo,
Humilhais a indiferença
E no Outono tudo vai ver a lareira,
Sem saber onde ela está...
Descalçais a superfície da casca,
Mordendo num toque fugitivo
Ou num abcesso ridículo do olhar...
Fico constrangido dentro da futilidade
Estando felizes, sossego...frio e gelado...
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Ancião Abandonado
Andais a sepultar flores
Em cima das campas que não são vossas;
Acasalais nas fendas das dores
A perdoar humilhações nossas;
Amaldiçoais arder nos vitrais
Por dentro de Almas seladas;
Purificais trocas em poços infernais
Pela memória das badaladas...
Cadáveres gigantes engolirão as cruzes
Do pó empilhado, a seduzir
O ancião abandonado.
Nada restará além da dança das colinas,
Na lembrança esquecida das unhas mutiladas...
Monday, October 30, 2006
Caixão
A tremer de espanto pintas
O esboço da cera que ondula nas velas,
A flutuar, a ferver nas brumas...
Transportam cantos no tecido,
Navegam ossadas de sentimentos...
A lágrima rompe, o rasgado
Rosto pinga com alimento...
Madeira suada...
Corpo maltratado...
Alma queimada...
Mármore moldado...Envidraçado...
Saturday, October 28, 2006
Wednesday, October 25, 2006
Poemas Esquecidos De Outubro II
Ocultas a montanha coroada
Onde barcos divinos provam o vinho;
Pegas o frágil colo enrolado em linho
E os murmúrios da água abandonada...
São matrizes cruzadas, de dedos afiados...
Funis perturbados com o silêncio oco
Dum sorriso de asas, que fazem voar como louco
Os imortais ecos de galhos crucificados...
Os espíritos param nos altares
No mar, no ar, suspeitam das folhas
Em cada canto, dando tons às entranhas
Para perfumar, perfurar, os ramos encantadores...
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Mutilação
Chamaram a polícia...
Querem-me prender estes canalhas.
Têm os bastões hirtos, com a saliva a exaltar-se;
Nem os fantasmas dos pesadelos
Contidos nas grades os faz desaparecer
Na sua própria humilhação...
Bando de fornicadores
Que mutilam os órgãos dos anjos
Rindo-se das cicatrizes alheias
Para mostrar as fezes...
Os seus odores mesquinhos
Declamam a ocupação
Dos seres supremos...
Mantenham-se nessa ilusão
Seus cobardes.
Venham-me prender
Que ides ficar sem pele,
E aí sabereis como
Provar a vossa pútrida carne...
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Sei
Não sei de que cores pintaram as nuvens
Talvez de Lilás...
Talvez de Negro profundo...
Não sei onde está magia das mãos
Talvez em pó espalhado...
Talvez em cinzas perfumado...
Não sei como fizeram os socalcos
Talvez com miragens...
Talvez com mera ilusão...
Semearam pontes...
Armadilharam sem destino as trevas...
Plantaram desejos de maldições...
Acenderam marés-cheias de sons...
E no fim perguntaram num sufoco de letras:
-Ainda pensas em voar?...
Friday, October 13, 2006
Poemas Esquecidos De Outubro
A lua afunda-se na manhã submersa
Sem o tempo a pautar o toque,
Com sopros a acariciar
O esqueleto indestrutível da suavidade...
Porventura meus olhos fecham-se
Na elegância suprema de voar,
Distraio a mordidela,
Arranco no destino da palma da mão.
O bosque cheio de charcos
Perfumado num espelho olvidado...
My eyes are bleeding,
You are in my eyes...
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Chuva de Licor
De Alma corrente,
Deus de lábios com rios
Molda nas mãos os fios,
Escorre pela mente
O grito contido da semente...
A chuva de Licor;
Impiedosa e Cruel...
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Tatuagem de Lua
Tenho a noite no meu berço
Embalado nas estrelas de fogo,
Morte árdua e dançante...
Vestes negras acorrentadas ao céu
Pingam a coragem do olhar,
Dum momento de lucidez colectiva
À ruptura que na moldura dura,
Tem na escultura o grande pendura...
Sempre com a mão tatuada
De prata dourada...
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Punhal de Vida
Ó esqueleto sem ossos, que olhas do tecto
O tédio da atracção por máscaras,
Vazio da indiferença, atado em amarras
Se tocas dormente, vermelho teus olhos ficam...
Se chamas ocas queimam, teus braços seguram...
Se folhas caem, tuas vestes pintam...
Então, de que forma são tuas asas?
De mel embaciado, ou de gelo embalsamado?
És mórbido, louco insano!...Confundes as Ruínas.
Fogem de ti, da mesma maneira que se atam na cruz.
Sopram veemente por fogueiras secas, de luz
Nua a escapar nos canais ensanguentados.
Misantropo um dia te chamaram,
Num estranho orifício d desejo,
Assustaram-se com o jazigo ou um beijo!
Ceifas cada rosto, perfuras os seios,
Deixas o punhal dilacerar sem devaneios
E, sem remorsos perguntas quem és...
São longas tuas garras, afiadas sem espessura,
Negras, que um carrasco limou,
Enquanto na atmosfera caía a água pura.
São os traços, cicatrizes ou arestas floridas?
Sangram na mão? Loucura? Apenas sopros
Pálidos do olhos fascinados nos corpos.
Da Alma que cuidas na morte, sentes o odor
De lágrimas que se esfumam no assassínio da dor.
Chamas a ti a noite eterna dos corvos...Sangue!
Always red in your dress...undressed
“Loving you is like loving the Dead” – Type O Negative












