Monday, September 18, 2006
Thursday, September 14, 2006
Brincar no orvalho
*Foto tirada em aveiro numa loja de artesanato
Monday, September 11, 2006
Templo
Que corre para este.
Num alivio destemperado
Regresso ao templo,
Do tempo, que contempla
O último uivo parado.
A fogueira esconde-se
No nascer do sol,
Plantado num cabide
Nas profundezas rudes
Da cor espalhada.
Atiço com serpentinas a jangada
Colocada debaixo da palma da mão...Suspiro...
Friday, September 08, 2006
Conversa de MSN
k tal?
DarkAngel:
cumpriu o objectivo?
DarkViolet....
sim...fiquei feliz
DarkAngel:
pq é k kerias comentários?
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é teu?
DarkAngel:
claro
escrevi ambos em 5 min
enquanto trabalhava
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
escreves maravilhosamente bem...fiquei surpreendido
DarkAngel:
tb n é preciso gozar
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
queria pq estou numa fase que queria sentir as pessoas
estou a falar a sério
muito a sério mesmo
DarkAngel:
aposto k gostaste mais do primeiro
ambos são sensações diferentes
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é verdade
DarkAngel:
um representa o desespero da ânsia e da possível impotência
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
mas o segundo está mais virado para mim neste momento
DarkAngel:
o segundo representa a vontade da acção
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
preciso de sentir a montanha
DarkAngel:
é ideia de k somos o centro de tudo
nós somos a montanha naquele momento
altos e terríveis
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
majestosos e tormentosos
DarkAngel:
sábios e antigos como as raízes da terra
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
com ardor de sentir a liberdade
DarkAngel:
de ter poder para fazer alguma coisa
qq coisa
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
por umas asas e sentir o vento..tocar e resplandecer
DarkAngel:
mas k para nós é tudo
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
estou imensamente surpreendido
DarkAngel:
sim, o vento n é mais do k as consequências das nossas acções
continuas
e no entanto objectivamente finais
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
só por esta parte da nossa conversa valeu a pena ter-te mandado o mail
circunscrito às linhas da imaginação que se propaga na pele e leva a vontade aos pergaminhos do ser
DarkAngel:
a vontade já lá esta, sempre, e no entanto basta toque de resolução, k pode provir de algo k nos é alheio e estranho
a vontade é estranha
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
são vestes que fazem agir cada partícula para colisões que não são esperadas
DarkAngel:
sao as vestes da decisão
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
e quando se decide deixa-se sempre algo para trás
DarkAngel:
k por vezes diz mais a outra sede do k à nossa
significando algo k nos é desconhecido
mas ao mesmo tempo familiar
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
talvez esteja escondido e não se quer ver os contornos que ali estão..verdes, maduros ou a apodrecer
DarkAngel:
sim, a vontade é uma coisa terrível
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
derruba o céu e fica a escuridão visível
DarkAngel:
o k nos vale são os sopros k nos acariciam a face dando assim algum conforto perante o inevitável
que acaba também por ser um continuo de ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
isso acaba por ser mau...pq penetra e dá cabo das arestas limadas...mas por outro lado cria outros horizontes...remoinhos atrás de remoinhos
DarkAngel:
mas essa é apenas uma de muitas sensações, todas completando-se umas as outras completando um ciclo k cujo fim é o de nós mesmos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
a verdade de existir por entre nossas paredes e cada fragmento ser engolido...tocar e sentir...expandir...
DarkAngel:
até que não somos mais do que uma esfera vazia, consumida por tudo o que nos rodeia, a não ser que a Razão se sobreponha ao sentido da Vontade
e nos reduza a uma imagem una e única
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
saber se ela está vazia ou tem pedaços de vento, é algo que sempre será uma parte que terei de escutar
DarkAngel:
os pedaços de vento são o fogo não controlado que nos leva à expansão
sao a fonte da vontade
o motor da existência são os fragmentos de vidro que avidamente a esfera consome centrando-se em si cada vez mais
até que acaba por ver apenas o chão quebrado
e os gritos de lamentação não são mais do que um mar de passado resumido a um ponto
o presente
apenas isso
nada mais
um futuro e um passado vazia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
se vemos algo quebrado é pq algo existiu ali...só falta mesmo é saber moldar cada pedaço nas cores dos pigmentos que cada um sabe dar...faz tão bem gritar...
DarkAngel:
esse algo que ali existiu nada mais é do que a ilusão do eu
do eu que sabe o que quer, que sabe quem
é
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
saberá?
DarkAngel:
distorcido pela ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
sabe fragmentos
DarkAngel:
não espera saber, pois apenas vê fragmentos
esses fragmentos são ele próprio
distorcido pela sua visão, pela vontade
animado pela sua ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
querer e ir atrás...ir e saber que se perde algo, mas não se pode lamentar..ou poderá -se?...
DarkAngel:
a existência para alguns é um todo de lamentação
pelo que não fizeram
pelo que fizeram
ocuparam um mundo, com um nada. expectativas goradas
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
só falta mesmo é lamentar por aquilo que não fizeram
lol
esquece
só falta mesmo é lamentar por aquilo que farão
assim está melhor
DarkAngel:
pois,
e impossível fugir ao ciclo
a esfera só pode crescer
o presente nunca é imutável
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
sem limite
talvez o ciclo volte ao inicio
DarkAngel:
n, n pode, o ciclo n permite a repetição de eventos
nós não o permitimos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
temos medo de cairmos no mesmo lado da fronteira
DarkAngel:
o medo da ineficácia é um poderoso inibidor
é a ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
criar ilusões de atingir metas e tentar cumpri-las..mas é necessário isso...
DarkAngel:
e no entanto não são mais ilusões do que a dor
A realidade é que é ineficaz
prendendo a vontade no fundo da cadeia alimentar
largando-a consoante os desígnios secretos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
talvez um tormento muito além das expectativas...é necessário pescar em águas que nao se sabe o peixe que pescaremos...arrancar cada sonho para a realidade
DarkAngel:
e no entanto esse sonho nunca passará disso, o poder é uma ilusão
apenas temos as sensações
como um sabor que antecipas
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é preciso voar sempre para um mundo que esteja invisível...quebrar horizontes
DarkAngel:
mas nunca esquecer as ancoras da realidade
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
são filamentos que nos ligam à terra
DarkAngel:
sao as raízes do saber
ou as correntes da vontade
como agora te é dado a perceber, a minha ânsia traduz-se na imagem
e a vontade, na realização do ser Um
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
a questão do egocentrismo
DarkAngel:
o egocentrismo traduz-se na ânsia
o ser Um é o ser por detrás da vestes
Duende
Olhando para a Lua pousada na asa.
Caminho pelos dedos das penas
Tocando o pousio da tua mão.
Atravesso a silhueta das velas
Ao contemplar-te nos meus braços.
Sim..Olho para a Lua...
Sim...Olho para ti...
Quero-te enrolada
No ardor do frasco
Derramando pétalas de essência...
Perfume da ternura de laços...
Thursday, September 07, 2006
DarkViolet
Para pronunciar o sabor dos teus lábios
Num momento que descai nas veias,
Num balanço para trovejar crinas...
Oscilações de saliva
A mergulhar em ondas de fogo,
Minha Alma espessa
Desfila nos teus pigmentos.
Lanças escorregadias dos olhos do mar
Nas conchas belas da tua pele...
Adormeço nas cavidades...
No luar transbordo em ti...
A pingar...
Tuesday, September 05, 2006
Furadouro
Cai o orvalho de chuva,
Peugadas frescas de conchas
A riscar arrepios na areia...
Os silenciosos ramos
Profanam a mansão;
Onde tocam flautas de sinos,
Onde os espantalhos adormecem.
Descai o Verão debruçado
Sobre o telhado de palmeiras,
No ninho da cegonha
Que voa alto, a brincar num bailado...
Thursday, August 31, 2006
Navegar
Em laços mudos
Na vitrina do sótão...
Escapa-me a lua num funil,
Tão fino de fumo que borbulho
Na solidão da beleza...
Dou gritos...ninguém me ouve...
Dou suspiros...ninguém os abraça...
Ouço unicamente a partitura
Do meu ser...
São sons fortes de trovões
Que rasgam os seres que me querem sentir...
E os que não me tocam, sentem?...
Tuesday, August 29, 2006
Pincéis
Para embalar o tempo
No sopro mágico das escamas...
Abriram valas de lava
Onde esconderam
As chamas de pincéis...
Penetraram odores
Suculentos de perfumes
A olhar as montanhas...
Mas esqueceram de perguntar:
Quem é a pessoa que toca
No suspiro da essência?
Saturday, August 26, 2006
Pensamento
Eu nunca entenderei porque se foge da vontade de ser feliz. Perco em cada dia os pós de sentir os seres humanos. Não porque não têm beleza, mas devido a eles somente quererem momentos. Não vale o esforço de lutar por isso. Tenho sopros na minha pele, somente isso. É bom, mas para mim nunca chegará esse ar rarefeito. Jamais...
Friday, August 25, 2006
Campânula
O horizonte da campânula,
Adocicando o meu perfume
Nas artérias do destino.
Mergulho nas Almas
Desprovidas de odor,
Ardidas nas sombras
De galhos húmidos...
Sobem os ventos do Outono
Em cada Falésia desconhecida...
São os meus sonhos
De voar por cima da montanha,
De voar agarrado à fantasia...
Um eclipse Lunar...
Wednesday, August 23, 2006
Cortesã
Sem o destino do tacto...
O frasco de essência
Quebrado no nevoeiro
Perfuma o rendilhado espelho...
Reflectem odores de fogo gelado...
E assim a incógnita cortesã
Que borda o riacho,
Que devorado aglomera-se
Dentro da Alma,
Voa nas suas asas...
Uma lenda dedilhada em velas
A naufragar nos sentimentos...
Forte, moldada na lápide de fogo...
Tuesday, August 22, 2006
Sopro
Tilintam com pés descalços...
Ardem nas cinzas,
Como pó a olhar
O vazio das sensações...
A Alma sente-se
Aninhada dos seres humanos.
Cada vez mais longe.
Ainda tento fazer pingar
O orvalho dos filamentos
Das nuvens...
Uma brisa, ou talvez
O som do tormento...
Sorrio nesta paisagem...
Desarrumo a máscara abafada
Com o sopro de abismos...
Monday, August 21, 2006
..."They keep calling me"...
Dead Souls
Someone take these dreams away,
That point me to another day,
A duel of personalities,
That stretch all true realities.
That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me.
Where figures from the past stand tall,
And mocking voices ring the halls.
Imperialistic house of prayer,
Conquistadors who took their share.
That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me...
O que ouvirei no horizonte do nevoeiro?...
Thursday, August 17, 2006
Espreguiçar
Na pele do destino...
Estão cobertos de espuma
A circunscrever o futuro das florestas...
Abertos ou rasgados, voam no alto
Dos montes,
Velas acesas...
Viagem do puro prazer
Da Alma cigana...
Perceber a minha linguagem é árduo...
Pingar no meu orvalho é doloroso...
Mas eu vou...
Voarei nas desconhecidas queimaduras do gelo
Que não ousam penetrar...
Irei lá ao fundo
Onde a chama de mim serenará...
Uma questão do sopro se espreguiçar...
Saturday, August 12, 2006
Thursday, August 10, 2006
Trepadeira
simplesmente não entendo.
Não é que não consiga sentir
este calor abafado a percorrer meu corpo,
não é isso que me faz flutuar nos sentidos.
São as paredes imóveis,
que não têm nada de estagnação,
reflectem para onde desejam,
ficam mudas nas suas irregularidades.
Não penetro onde não me querem,
certas audácias
não são permitidas
para eu pintar tantas cores.
Sei que os dias ficam
mais curtos a vislumbrar
o contorno das paredes.
Efeito Outonal com certeza.
Por vezes em salpicos,
vejo trepadeiras que se agarram nas pedras enroladas.
Paredes de vidro num opaco transparente,
linhas verdejantes com troncos finos,
quebrados pelo tempo
mas erguidos na modéstia.
São assim as paredes que me deixam confuso,
mas tão perplexo
que não dá para ter complexos.
O calor do sol na parede
apenas faz secar o belo esboço das trepadeiras,
e no horizonte de pétalas o olhar corre.
Um corrimento que dá para sentir o que não entendo.
E pergunto-me o que eu não entendo?
Não entendo o Verão,
porque simplesmente Amo o Outono.
Tuesday, August 08, 2006
Fumo da Chuva
Monday, August 07, 2006
Números
Sunday, August 06, 2006
Wednesday, August 02, 2006
Peregrinar
Mergulhados nas narinas,
Repouso em searas sem nexo.
Queimando a Alma no perfume,
Ardando sem vontade.
Transbordo naufragado.
Complicadas palavras
Que fecundam a ausência,
Transformo o baú de cogumelos
Num elixir...
Peregrinar a imortalidade...
Ceifo a crina do cavalo...Amo...
Planícies...
Sunday, July 30, 2006
Dó sem Pó
Borbulho o fantasma da Alma
Rasgando cada cicatriz feita em cruz,
Polindo o cálice da Lua
Na língua do vampiro...
Objectos, Sons, Miragens...
A sombra do esquecimento
Nas escadarias dos violinos ,
Pego na tatuagem de pó
E engulo a saliva sem dó .
Devoro a degolar-me
A teia do reflexo
Dentro de labirintos de folhas secas,
Fora do paradoxo do abismo infernal
O olhar fica distante, escondido...
Friday, July 28, 2006
Convés
Degolados na madeira...aldeia...
Cheiro de anestesia
A sacrificar o fumo...
Abana o vento gélido,
No ardor árduo da saliva,
Na transparência oca, molhada nas vestes,
Ardida na devastação
Do odor do mar...
Sou eu a olhar no convés,
A sentir as penas no meu cabelo...
Tuesday, July 25, 2006
Pés Voadores
Sunday, July 23, 2006
Poção (23)
Que ardem no corpo...
Estilhaço os dedos dedilhados
Da Alma fervente...
Os espelhos coloridos de bolhas
A queimar o vento...
Sabes como obter uma estrela de chuva?
A poção do tempo
Na mistura de aguaceiros...
Um rasgo de leveza
No olhar enfeitiçado...
O fogo das mãos
Na permuta das brasas...
Sabes como funciona uma ampulheta?
Acreditar, Acreditar, Acreditar...
Que tudo desce no meio da vidraça...
Dois ou Três...Ou ambos juntos...
Saturday, July 22, 2006
Desfile
Wednesday, July 19, 2006
Trovão
Tuesday, July 18, 2006
Parabéns
Sunday, July 16, 2006
Entro e Saio
Entro no calor seco das imagens...
Incertas asas sobre as nuvens...
Impulsos tremidos de ventos...
Alma arrefecida de sons...
Saio das janelas partidas...
Saio molhado de desejo...
Saio para ver a tela...
Friday, July 14, 2006
Misturo
(Até tenho os lábios abertos)
Sento-me na cadeira
E observo como o pó se espalha debaixo dela.
(O abismo tem dentes afiados)
Rodopio os olhos de encontro à carpete
Rasgando as cores
(Tintas de fumo)
O chão cheios de pincéis Pedem a mão
(Penetro o vento)
Duas cores vêm à memória...Duas...
(Misturo o céu)...
Wednesday, July 12, 2006
Cavalete
Abro a campa olhando para o céu de nuvens claras...
Abro as pétalas dum sorriso melancólico...
Alegria da Alma nas masmorras a verter...
Pego na mão para colher a suavidade...
Rasgo o ventre do monstro
Na concha de balões...
Sinto o arrepio do contraditório...
Fantasmas da aguardente
No rosto queimado...
Enigma de espelhos...
Não se dança sobre o cavalete...Queria...
Tuesday, July 11, 2006
Lua
Monday, July 10, 2006
Nevoeiro de Lua
A expelir cinzas de vidro...
Extrai-se as estrelas do fôlego
Para derramar ampulhetas de sono...
Teoremas de pó florido
Na silhueta destes contornos,
A força da picada esventrada
Para dos pés entornarem neve...
Dos olhos pinga a Lua...
Dos lábios pinga o calor...
Da Alma pinga o ardor...
Chuva miúda rasga a neblina,
No afundar de belas ruínas...
"Um sorriso radiante de raios transparentes, iluminam..."
Friday, July 07, 2006
Flechas...
O portão fechou, deixei-te sair...
Quente drama coberto com lama...
Oculto frio que gela o rio...
As flechas mutilam o coração
Como o véu cobre o caixão...
A roupa de ossos...
Sim...estou a falar da Escuridão e da Luz...
Thursday, July 06, 2006
Sei do não sei
Não sei voar sem cordas...
Não sei borbulhar sem levitar...
Não sei fazer Amor sem mãos...
Não sei dançar com ritmo...
Não sei olvidar os dedos...
Não sei estranhar minha roupa...
Não sei descer sem saltitar...
Não sei como fazer um abraço...
Sei da dor da ausência...
Sei do rio da essência...
Sei da solidão perdida...
Sei do licor perfumado...
Sei ouvir as viagens de sons...
Sei de dedilhar poções de voos...
“Jamais interrompa os cursos das águas”
Sei que sei, que o que sei provém do não sei, e para ser sentido pelo que sei tenho que virar as costas ao sei e fluir pelo não sei...O não sei do sei, o sei da essência...isolado ou atormentado?
Wednesday, July 05, 2006
Intruso
A mão de estaca banha o fogo,
As cinzas de pedra furam falésias...
Sou um intruso não convidado.
Pego fogo ao reflexo dos meus pés
Para rasgar as escamas sem profundidade...
Pego no tempo caótico
E fabrico a insanidade de poemas.
O livro irracional
Dos balões,
Do intruso
Não convidado...
Tuesday, July 04, 2006
Monday, July 03, 2006
Harmonia
“A unidade, ao opor-se a si mesma, concorda consigo, tal como a harmonia que sai do arco e da lira” Heraclito
Pode a tristeza ser expressa com um sorriso? Ou estes elementos que continuam a opor-se deixarão de fazer harmonia?...Como dizem os gregos, o grave e o agudo fazem música...
Sunday, July 02, 2006
Cavalos Voadores
Somente há esperança
Em determindas linhas.
Os contornos da visão esquecida,
Um sorriso embriagado,a magia de trovões,
E a chuva miudinha do sentimento...
Sei...Não sei...
Pego no punhal, e solto-me dos sons muídos,
Perfurando a lareira de estacas...
Coragem de ir ás montanhas geladas...
Quero para poder viver...Quero o calor da vida...
As velas sacrificadas
irão fazer chover relâmpagos...
Sei...Sei...
Estou isolado nos cavalos voadores...
Friday, June 30, 2006
Sémen
Crueldade sem requinte de malvadez...
Mar de lama que suaviza a fervura
Mergulhada no tronco... timidez...
Das 4 não passo sem ritmo perder,
Um vazio sem vaso para emoldurar...
Arrombo o alçapão das grades desfeitas,
Sustenho a respiração,
Bailo os pedaços que voaram
Com os lábios agarrados ao meu seio,
Sorvo o sémen derramado...
Thursday, June 29, 2006
Palma da Mão
Sem partir...
Estender a mão no luar
E enrolar a coroa erguida,
Para depois deixar orvalhar
A minha Alma perdida.
Vou pegar em pétalas
E sorrir...
Prender um suspiro de olhar,
Riscando a palma da mão
No coração...
Wednesday, June 28, 2006
Dança Pureza
Abertas no rio de pétalas,
No suspiro do cansaço,
A esfregar o punhal de lâminas...
Viro o rosto de encontro
aos vitrais de chamas,
E abro o coração ao resvalar
Da pureza...
As minhas letras voam
Nas florestas negras da minha solidão...
Dança Demónio...
Tuesday, June 27, 2006
Gelo Espalhado
A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.
Monday, June 26, 2006
Cinzas perfumadas
Num olhar decadente...
Arranquei em busca de cordas
Para segurar o toque materno,
Encontrei o suor sem aventura...
Se no sol árido
Minha Alma se esfumasse
Já estaria com as cinzas perfumadas...
Sunday, June 25, 2006
...
Friday, June 23, 2006
23
Choveu...
Thursday, June 22, 2006
Trémulas Asas
Seguro-me nos arames do tecto,
Num copo de sangue, a espumar…
Salpico esta fermentação
Com espasmos infernais de espinhos…
A melancolia dum sorriso a riscar o som, vazio…
Gracejo em hiatos de sulcos,
Arregalado para sufocar-me de êxtase.
Vem até mim, cresce no dorso do demónio…
A morder a cicatriz da última veia de sede…
A dançar o grito da última janela de vento…
Vem até ti, adormece nas trémulas asas…
A dilacerar o terror do olhar…
A devorar o sémen da natureza…
Vem brilhar esta tela…
Que venha a escuridão completa…
Wednesday, June 21, 2006
"O Tempo Que Resta"


P.S.: Este país é triste nalgumas coisas. Para ver este filme (O tempo que resta) de grande qualidade é preciso as pessoas se deslocarem à unica sala que tem em exibição neste país (UCI em Lisboa)...Enfim...
Tuesday, June 20, 2006
A viagem...
Monday, June 19, 2006
Plim...
Troveja na margem,
Pedaços de miragem em rostos escondidos.
São assim os olhos queimados...
Serras de fogo enjauladas,
Mergulho nas memórias regadas.
Debaixo do solo, a escuridão descalça.
São as cicatrizes do Oriente...
Sons fúnebres ardem
Em olhos estagnados, vazios...fogem...
Corridas em precipícios de aromas.
São as silhuetas do Chile...
Do Alto para o alto do mármore
A essência perfumada das flores.
Rabisco o banco da formosura.
São o dedilhar das mãos puras...
Menina de sorriso tímido
Toca-me as cordas do violino...
A agitação do coração embala-me.
São poções de subtilezas...
Vagueio pelas ruelas brilhantes
Em misturas embriagadas de fome.
Restos de ossadas que tilintam.
São galhos da cidade maldita...
Preencho o poço dos Prazeres
Na mulher de sorriso largo,
Esbocei um corvo no jazigo.
São pisadas de fogo sublime...
Flutuo as veias no abismo,
O céu rasga-se de trovões
Por estar a violar esta terra...
São estrelas de velas...
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
O doce inferno dum trovão
Da chuva molhada...
Sunday, June 18, 2006
Calafrios
Mergulhadas na lava do tempo...
A embalsamar meu rosto
A rasgar os espíritos...
Suave nos trovões das esquinas,
Agreste nos tormentos aguçados...
A Alma passeia neste labirinto de olhares...
Pinto o céu de muralhas...
Calafrios de pétalas caídas...
Wednesday, June 14, 2006
Mia Couto
( O barbeiro de Vila Longe )
Mia Couto - O outro pé da sereia
Tirei estes excertos de frases do último livro de Mia Couto, que apenas desfolhei algumas páginas. Não é que concorde com as frases, mas há algumas palavras nestes fragmentos que me dizem algo, como por exemplo: "a lembrança", "o rio", "a terra", "a memória" e "perdido". O essencial do discordar é que a única coisa que importa é se a essência é pura ou não. Se for pura então o rio corre para algum lado, mesmo que seja para a solidão...Enfim...
Monday, June 12, 2006
Aconchego
Vesti-me na Lua...
Pus o carapuço nos cabelos
E deslizei na água do peito...
Os segredos de vozes miraram-me
Com olhos do rio...
Da intensidade de nomes
Só um havia de me levar...
Do gradeamento mágico,
As colunas erguem-se
No infinito de pétalas,
Na loucura do prazer Lunar...Puro...
(Sempre a Lua, Sempre Ela...)
Saturday, June 10, 2006
Friday, June 09, 2006
Para quê?...
Não consigo dar...
Devoro meu corpo,
Rasgo os olhos para ver,
Até dos lábios saem cordéis...
Para quê?...Não consigo dar...
E se na ponta da saudade
Houvesse esperança?
Quero adormecer num abismo...
Quero um sopro no meu colo...
Não quero nada...Quero...
Para quê ter alguma coisa?... Para quê?...
Thursday, June 08, 2006
Ninguém te reconhece...
Cidade Maldita
Estátuas do movimento fundem-se em misérias.
São cabos soltos que perfuram a ansiedade,
São armações geladas da saudade.
Costas dobradas, curvadas ao destino...
Dor imaculada com o traço fino...
Irei voltar à cidade maldita,
Onde o Amor dorme nas asas dos corvos...
Tuesday, June 06, 2006
Embrulho
Corrimão
A fumar o esqueleto,
Perfuram os nós
Para encantar as sensações de abraços...
Abandono o medo
E fico apavorado na miséria.
Aberrações deprimentes
Da fúria descontrolada...
São fatias da criação humana,
Como o corrimão que se afunda
Nas baladas das badaladas sequiosas...
O insaciável incêndio da paixão...
Monday, June 05, 2006
Olho...
Violino
Como a flauta faz ao vento...
Dos rabiscos encravados na pele,
Ponho a música do alento...
Nos grãos de areia montado,
Seguro os pés tristes, colados...
O nu descalço das notas de sereia,
Inundam o mar de sangue...
A brisa melancólica dum violino...
Saturday, June 03, 2006
Sem sentido
Rasguei pântanos de musgos
Por desvio de olhos ocos...
As lágrima florescem derretidas na jóia
Caem folhas, Caem folhas,
De cinzas se cobrem...
Crescem olhos, Crescem olhos,
Curvados da cor dispersiva...
Dia do Dia,
Que mia, já não ria...
Sorria quando abria e via...
Tossia nessa alegria...
Friday, June 02, 2006
Opaco
Do fundo opaco...
Meu olhar cai nos meus lábios,
Secos por falta de esperança.
Não vejo ninguém, somente a mim...
Dói-me o que sou,
Sem razão aparente...
Gelado de emoções, esgotado...
Valsas sem nada em redor...
Apenas penas a esvoaçarem...
Brotará
Thursday, June 01, 2006
Clarim Surdo
É uma imagem de rosto adormecido...
Passarão anos sem ninho
Com a incisão do corpo estremecido...
Tempo sem fim
De pontinhos,
A ser infernizado pelo clarim,
Aconchegadinhos...
O espelho não tem imagem...
Saudade...Saudade...Saudade...
Nevoeiro de sombras...
Utopia...Utopia...Utopia...
Wednesday, May 31, 2006
Vivo
Derramou as vísceras,
Cortou os pulsos da memória,
Abrindo o ventre sem glória.
Choveram finalmente brasas do céu,
Gelando, trespassando o mutilado veú,
Penteando as cortinas das trevas
Em espinhos no mar cheio de selvas...
O homem invisível beijou suas cinzas.
Tuesday, May 30, 2006
Saliva
Dentro da saudade desmedida...
Puxo a espada de pincel
Para dilatar a compressão...
Fervo os cogumelos destemperados
Que cortam esta anestesia...
Separo a seiva desta poção mágica...
As fendas da saliva que bebem a nostalgia...
Apenas olho minhas mãos...
Monday, May 29, 2006
Futilidades
Onde estou não há vulcões,
Somente um coração a olhar
O pé cheio de erupções...
Sangra o sangue do mar...
Corre as lágrimas de licor
Pelas pedras do mármore,
A eternidade de dor
No manto do Altar-Mor...
Febre do sonho acabou
No canto da febre...
"Por Agora" não dou
O que não reabre...
Há esboços muito frágeis...
Só digo futilidades, mas são minhas...
...
Saturday, May 27, 2006
Longe
Torci a dor com a sede...
O baú dos tesouros está escondido,
Na falta de água, na floresta densa...
Atrair a transparência do prazer
Já é uma aventura...
Um licor de cheiros
A neblina de masmorras, sinto...
Paraliso o meu corpo
Porque olho para longe...
Deixo uma aranha passar na minha mão,
Ela faz-me baloiçar...
Friday, May 26, 2006
Tinta
Thursday, May 25, 2006
Grãos de Areia
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.
Wednesday, May 24, 2006
Salpicar
Força de saltar para dentro das asas ganha forma. Um encosto que adormece nesse leve batimento, a salpicar a coloração do demónio. Vejo o céu aberto nesta epidemia de pétalas, como uma ponte a transbordar de luzes. São brincos a brilhar neste arco, num cair de setas envenenadas, estremeço no vento a voar com as penas do desassossego. Só, sempre só...
Tuesday, May 23, 2006
O Homem Atlântico
"...Continua também esta exaltação que me vem por não saber o que fazer disto, deste conhecimento que tenho dos teus olhos, das imensidades que os teus olhos exploram, por não saber o que escrever sobre isso, o que dizer, e o que mostrar da sua insignificância original. Disso, sei apenas o seguinte: que já não posso fazer nada a não ser suportar esta exaltação a propósito de alguém que estava ali, de alguém que não sabia que vivia e de quem eu não sabia que vivia, de alguém que não sabia viver, dizia-te eu, e de mim que o sabia e que não sabia o que fazer disso, desse conhecimento da vida que ele vivia, e que também não sabia que fazer de mim..."
O Homem Atlântico, Marguerite Duras
Flutuar
No rosto torcido da saudade...
Longe dos cabelos perfumados,
Encosto-me ao fogo...
O silêncio flutua,
Não posso olhar o vazio,
Não posso tocar o beijo,
Escolho a escuridão da Lua...
Sei da lei que serei rei...
Dum pó de sangue,
Da água com perfis de escravidão.
Pescoço com osso...
AAiii
Com uma lágrima nos lábios,
Torci o corpo nos lençóis
E abracei a pele nua de rios...
Deixei o vento entrar
No canto das costas,
Só um pouco, porque
Não queria humedecer...
Queria escorrer a lágrima
Para o fundo do poço,
Entrar na minha escuridão,
Penetrar-me neste gemido...
Monday, May 22, 2006
Abismo
Pó Branco
Abro a janela, vejo um poço...
Os olhos cruéis despedaçam-se
Em veias de raios...
Profundidades de madeira sem sentido,
Escapo de visões fúnebres...
Palpitar, degolo-me de prazer
Exaltando as raízes de nuvens...
O pó branco desce para se
Agasalhar nas paredes húmidas,
Segrego o isolamento,
Da pureza florida...
Friday, May 19, 2006
Engoli
Aqui não sinto...
Porventura estarei ali...
Engoli o que li...
Perdi as margens de ti...
Dilema do covil
Escondido do meu ser senil...
Dispo-me ali, dispo-me aqui...
Vi...Vi...Vi...Venho-me...
Thursday, May 18, 2006
Pétalas
A mera ilusão de fazer crescer uma flor dentro de mim não passará disso. Somente uma imagem da miragem que penetra na visão do inconsciente dum sonho. Os sons da melodia de mim é escavar sem destino, ou seja há coisas que não foram feitas para nascer. Quanto mais se escava mais sinto que essa libertação é em vão. Liberta-se sentimento e não obtemos sentimentos de volta. A ausência existirá até ao último fôlego aliviar o zombie. Rasgos de nevoeiro são os fantasmas da busca insaciável, a contornar labirintos em que o ponto final é o ponto de partida. É como no filme CUBO. Aprendo que o cair é sempre o ponto mais alto, e o levantar o ponto mais fúnebre. Estas notas pautam e pautarão sempre estas linhas, a rodearem esta viagem. Não tenho o que as pessoas desejam porque tenho somente a mim. Pouco, muito pouco, mas que para mim é o meu único alimento. A escrita torna-se dúbia, abstracta...Como sempre, sem sentido.Madeira
Incham os olhos de espanto...
Rasgam e raramente penetram...
Sangram ouvindo o silêncio...
Não tenho nada para oferecer
Daquilo que verdadeiramente querem...
Apenas deixo escurecer
A ausência da viagem...
Tudo é mera ilusão...
Wednesday, May 17, 2006
Hospício
Que mergulhado se encontra cortado.
Palpitar do ser plantado
Num hospício dum recanto.
Só, olhos tristes embebidos...
Pó, voz rouca em tecidos...
Dó, dos pés esquecidos...
Mó, ceifa de sons retidos...
Tuesday, May 16, 2006
Altar
Não sei se há flores em canteiros despidos...
Não sei se o perfume das asas chega aos céus...
Não sei se as lágrimas da chuva são vitrais...
Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...
Não sei se os olhos estão cegos...
Não sei se há vontade em mim...
Não sei se há força feita de aço...
Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...
Monday, May 15, 2006
Novelo
De fantasmas com estandartes...
Sopra a desmesurada cratera do coração
Afunilada na vertigem,
Ouvindo o palpitar do rastejar
Nos escombros vibrantes da imagem,
Decepo os ossos a tocar
Cordas ocas de emoção...
Visionar pedaços de arte
Peço um novelo...
Friday, May 12, 2006
Hurricane Moon
Dentro do fogo rebolam as brasas,
Salpicos inflamados de murmúrios
Num uivo de luz...
Estranhas fontes que serenam
O derramar da cera de pétalas...
O perfume imerso, trémulo...
Os gritos fazem ranger as velas...
Carvão, sedução...
Transpira o ar de prata...
Cadência do céu a olhar
Espaço a enfeitiçar...
Planície
Para o véu de sangue cobrir os pés...
Galopo sem vista, coberto de viagens
Rasgando a suavidade dos pés...
Frio gelado da memória a dançar
Em pingos de pedra no chão,
Em vazios de vastidão...
Ancorar nos ferimentos que virão
Martelo o descascar da pele
Dilacero a Alma das planícies...
Thursday, May 11, 2006
Dúvidas
Os troncos abrem-se,
No calcar dos pés feitos de pó...
A estaca penetra,
No derramar da seiva feita de pó...
O cálice degolado
Esfrega-se no pó...
O olho cai na solidão da tinta...
Wednesday, May 10, 2006
Carlos / Me
Me - Quem?! Eu?!
Carlos - Sim. Não enganas ninguém.
Me - Eu não.
Carlos - Tens sim. E foi numa barraca...
Me - Qual barraca?
Carlos - Aquela barraca...
Me - Qual?!
Carlos - Aquela donde vendem shots...
Me - Ahhhh!!! (Olhar de quem nunca viu um shot à frente) ...
Cruzes
Na avalanche de rochas...
Escurece o dourado
Dos pés que voam...
Cicatrizes de fogo,
Cruzes enterradas,
Papéis de tinta
A esvanecer os sons...
O tilintar de mãos frias...
Monday, May 08, 2006
Lençóis
Acordei de noite...
Dormi acordado em cima do ombro...
Deixei os olhos nos lençóis...
Furei o tempo...
Agreguei os poros...
Soltei o licor...
Derramei a leveza...
Dormi de dia...
Devia...
Invado os pés...
Penetro o toque vazio...
Friday, May 05, 2006
Anoitece no amanhecer
As raízes torrencialmente levantam o inferno...
O beco vazio separa-se
Linhas rectas sem aflição...
Pergunto donde estou...
Pergunto para onde vou...
Pergunto o que sou...
Pergunto à resposta...
Amanhece na terra do gelo
As árvores pingam do céu...
O corredor de chamas funde-se
Nos labirintos do sofrimento...












