Monday, September 18, 2006


O céu como horizonte...
O mar como monte...

Thursday, September 14, 2006

Brincar no orvalho

Não há sossego em mim que transborda na evaporação do meu perfume. Os sons do pingar molham o meu peito em toques de frieza, num andamento que circundam o estado de remoinhos perfeitos, mas aí a leveza vai de encontro ao mar, ao encontro doutras paisagens. No meio disto tudo não me impede de ver onde está a minha essência, de observar que em cada passo que dou os pés moldam um ser mais de acordo com uma árvore despida. Numa árvore em que baloiço a brincar com o orvalho, somente a desfolhar as folhas, pintando as cores das estrelas, em que vou de encontro ao rio que corre das montanhas brancas...


*Foto tirada em aveiro numa loja de artesanato

Monday, September 11, 2006

Templo

Sou uma jangada
Que corre para este.
Num alivio destemperado
Regresso ao templo,
Do tempo, que contempla
O último uivo parado.
A fogueira esconde-se
No nascer do sol,
Plantado num cabide
Nas profundezas rudes
Da cor espalhada.
Atiço com serpentinas a jangada
Colocada debaixo da palma da mão...Suspiro...

Friday, September 08, 2006

Conversa de MSN

Conversa de MSN entre "eu" (DarkViolet) e um amigo meu (DarkAngel)
P.S: Peço desculpa pelos erros ortográficos LOL
DarkAngel:
k tal?
DarkAngel:
cumpriu o objectivo?
DarkViolet....
sim...fiquei feliz

DarkAngel:
pq é k kerias comentários?
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é teu?
DarkAngel:
claro
escrevi ambos em 5 min
enquanto trabalhava
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
escreves maravilhosamente bem...fiquei surpreendido
DarkAngel:
tb n é preciso gozar
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
queria pq estou numa fase que queria sentir as pessoas
estou a falar a sério
muito a sério mesmo

DarkAngel:
aposto k gostaste mais do primeiro
ambos são sensações diferentes
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é verdade
DarkAngel:
um representa o desespero da ânsia e da possível impotência
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
mas o segundo está mais virado para mim neste momento
DarkAngel:
o segundo representa a vontade da acção
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
preciso de sentir a montanha
DarkAngel:
é ideia de k somos o centro de tudo
nós somos a montanha naquele momento
altos e terríveis
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
majestosos e tormentosos
DarkAngel:
sábios e antigos como as raízes da terra
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
com ardor de sentir a liberdade
DarkAngel:
de ter poder para fazer alguma coisa
qq coisa
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
por umas asas e sentir o vento..tocar e resplandecer
DarkAngel:
mas k para nós é tudo
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
estou imensamente surpreendido
DarkAngel:
sim, o vento n é mais do k as consequências das nossas acções
continuas
e no entanto objectivamente finais
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
só por esta parte da nossa conversa valeu a pena ter-te mandado o mail
circunscrito às linhas da imaginação que se propaga na pele e leva a vontade aos pergaminhos do ser

DarkAngel:
a vontade já lá esta, sempre, e no entanto basta toque de resolução, k pode provir de algo k nos é alheio e estranho
a vontade é estranha
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
são vestes que fazem agir cada partícula para colisões que não são esperadas
DarkAngel:
sao as vestes da decisão
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
e quando se decide deixa-se sempre algo para trás
DarkAngel:
k por vezes diz mais a outra sede do k à nossa
significando algo k nos é desconhecido
mas ao mesmo tempo familiar
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
talvez esteja escondido e não se quer ver os contornos que ali estão..verdes, maduros ou a apodrecer
DarkAngel:
sim, a vontade é uma coisa terrível
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
derruba o céu e fica a escuridão visível
DarkAngel:
o k nos vale são os sopros k nos acariciam a face dando assim algum conforto perante o inevitável
que acaba também por ser um continuo de ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
isso acaba por ser mau...pq penetra e dá cabo das arestas limadas...mas por outro lado cria outros horizontes...remoinhos atrás de remoinhos
DarkAngel:
mas essa é apenas uma de muitas sensações, todas completando-se umas as outras completando um ciclo k cujo fim é o de nós mesmos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
a verdade de existir por entre nossas paredes e cada fragmento ser engolido...tocar e sentir...expandir...
DarkAngel:
até que não somos mais do que uma esfera vazia, consumida por tudo o que nos rodeia, a não ser que a Razão se sobreponha ao sentido da Vontade
e nos reduza a uma imagem una e única
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
saber se ela está vazia ou tem pedaços de vento, é algo que sempre será uma parte que terei de escutar
DarkAngel:
os pedaços de vento são o fogo não controlado que nos leva à expansão
sao a fonte da vontade
o motor da existência são os fragmentos de vidro que avidamente a esfera consome centrando-se em si cada vez mais
até que acaba por ver apenas o chão quebrado
e os gritos de lamentação não são mais do que um mar de passado resumido a um ponto
o presente
apenas isso
nada mais
um futuro e um passado vazia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
se vemos algo quebrado é pq algo existiu ali...só falta mesmo é saber moldar cada pedaço nas cores dos pigmentos que cada um sabe dar...faz tão bem gritar...
DarkAngel:
esse algo que ali existiu nada mais é do que a ilusão do eu
do eu que sabe o que quer, que sabe quem
é
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
saberá?
DarkAngel:
distorcido pela ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
sabe fragmentos
DarkAngel:
não espera saber, pois apenas vê fragmentos
esses fragmentos são ele próprio
distorcido pela sua visão, pela vontade
animado pela sua ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
querer e ir atrás...ir e saber que se perde algo, mas não se pode lamentar..ou poderá -se?...
DarkAngel:
a existência para alguns é um todo de lamentação
pelo que não fizeram
pelo que fizeram
ocuparam um mundo, com um nada. expectativas goradas
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
só falta mesmo é lamentar por aquilo que não fizeram
lol
esquece
só falta mesmo é lamentar por aquilo que farão
assim está melhor
DarkAngel:
pois,
e impossível fugir ao ciclo
a esfera só pode crescer
o presente nunca é imutável
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
sem limite
talvez o ciclo volte ao inicio
DarkAngel:
n, n pode, o ciclo n permite a repetição de eventos
nós não o permitimos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
temos medo de cairmos no mesmo lado da fronteira
DarkAngel:
o medo da ineficácia é um poderoso inibidor
é a ânsia
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
criar ilusões de atingir metas e tentar cumpri-las..mas é necessário isso...
DarkAngel:
e no entanto não são mais ilusões do que a dor
A realidade é que é ineficaz
prendendo a vontade no fundo da cadeia alimentar
largando-a consoante os desígnios secretos
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
talvez um tormento muito além das expectativas...é necessário pescar em águas que nao se sabe o peixe que pescaremos...arrancar cada sonho para a realidade
DarkAngel:
e no entanto esse sonho nunca passará disso, o poder é uma ilusão
apenas temos as sensações
como um sabor que antecipas
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
é preciso voar sempre para um mundo que esteja invisível...quebrar horizontes
DarkAngel:
mas nunca esquecer as ancoras da realidade
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
são filamentos que nos ligam à terra

DarkAngel:
sao as raízes do saber
ou as correntes da vontade
como agora te é dado a perceber, a minha ânsia traduz-se na imagem
e a vontade, na realização do ser Um
DarkViolet...."Jamais interrompa o curso das águas" diz:
a questão do egocentrismo
DarkAngel:
o egocentrismo traduz-se na ânsia
o ser Um é o ser por detrás da vestes

Duende

Abraço tua Alma num voo
Olhando para a Lua pousada na asa.
Caminho pelos dedos das penas
Tocando o pousio da tua mão.
Atravesso a silhueta das velas
Ao contemplar-te nos meus braços.
Sim..Olho para a Lua...
Sim...Olho para ti...
Quero-te enrolada
No ardor do frasco
Derramando pétalas de essência...
Perfume da ternura de laços...

Thursday, September 07, 2006

DarkViolet

Brilho no capuz do teu rosto
Para pronunciar o sabor dos teus lábios
Num momento que descai nas veias,
Num balanço para trovejar crinas...
Oscilações de saliva
A mergulhar em ondas de fogo,
Minha Alma espessa
Desfila nos teus pigmentos.
Lanças escorregadias dos olhos do mar
Nas conchas belas da tua pele...
Adormeço nas cavidades...
No luar transbordo em ti...
A pingar...

Tuesday, September 05, 2006

Furadouro

Na neblina da noite
Cai o orvalho de chuva,
Peugadas frescas de conchas
A riscar arrepios na areia...
Os silenciosos ramos
Profanam a mansão;
Onde tocam flautas de sinos,
Onde os espantalhos adormecem.
Descai o Verão debruçado
Sobre o telhado de palmeiras,
No ninho da cegonha
Que voa alto, a brincar num bailado...

Thursday, August 31, 2006

Navegar

Navego nas paredes do esquecimento,
Em laços mudos
Na vitrina do sótão...
Escapa-me a lua num funil,
Tão fino de fumo que borbulho
Na solidão da beleza...

Dou gritos...ninguém me ouve...
Dou suspiros...ninguém os abraça...

Ouço unicamente a partitura
Do meu ser...
São sons fortes de trovões
Que rasgam os seres que me querem sentir...

E os que não me tocam, sentem?...

Tuesday, August 29, 2006

Pincéis

Montaram uma grande fogueira
Para embalar o tempo
No sopro mágico das escamas...

Abriram valas de lava
Onde esconderam
As chamas de pincéis...

Penetraram odores
Suculentos de perfumes
A olhar as montanhas...

Mas esqueceram de perguntar:
Quem é a pessoa que toca
No suspiro da essência?

Saturday, August 26, 2006

Pensamento

As forças das palavras são impotentes perante as forças dos sentimentos. A acção de mover montanhas apenas depende do como se quer mover, e se ela for flexível a esse movimento. E isso nunca mudará por mais que a onda bate de outra forma.

Eu nunca entenderei porque se foge da vontade de ser feliz. Perco em cada dia os pós de sentir os seres humanos. Não porque não têm beleza, mas devido a eles somente quererem momentos. Não vale o esforço de lutar por isso. Tenho sopros na minha pele, somente isso. É bom, mas para mim nunca chegará esse ar rarefeito. Jamais...

Friday, August 25, 2006

Campânula

Entrei no nevoeiro de tocar
O horizonte da campânula,
Adocicando o meu perfume
Nas artérias do destino.
Mergulho nas Almas
Desprovidas de odor,
Ardidas nas sombras
De galhos húmidos...
Sobem os ventos do Outono
Em cada Falésia desconhecida...
São os meus sonhos
De voar por cima da montanha,
De voar agarrado à fantasia...
Um eclipse Lunar...

Wednesday, August 23, 2006

Cortesã

Nas labaredas, a chama irrompe
Sem o destino do tacto...
O frasco de essência
Quebrado no nevoeiro
Perfuma o rendilhado espelho...
Reflectem odores de fogo gelado...

E assim a incógnita cortesã
Que borda o riacho,
Que devorado aglomera-se
Dentro da Alma,
Voa nas suas asas...

Uma lenda dedilhada em velas
A naufragar nos sentimentos...
Forte, moldada na lápide de fogo...

Tuesday, August 22, 2006

Sopro

As trepadeiras humanas
Tilintam com pés descalços...
Ardem nas cinzas,
Como pó a olhar
O vazio das sensações...

A Alma sente-se
Aninhada dos seres humanos.
Cada vez mais longe.
Ainda tento fazer pingar
O orvalho dos filamentos
Das nuvens...
Uma brisa, ou talvez
O som do tormento...

Sorrio nesta paisagem...
Desarrumo a máscara abafada
Com o sopro de abismos...

Monday, August 21, 2006

..."They keep calling me"...

E hoje acordei ao som de Joy Division, porque existe no refrão da música "Dead Souls" uma parte que me deixa encantado..."They keep calling me"... A metamorfose dos lugares deixa-me confuso, a metamorfose das pessoas deixa-me indiferente, mas o som da simplicidade das cordas de violino que estão penduradas na minha Alma, enchem-me de esperança...

Dead Souls

Someone take these dreams away,
That point me to another day,
A duel of personalities,
That stretch all true realities.

That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me.

Where figures from the past stand tall,
And mocking voices ring the halls.
Imperialistic house of prayer,
Conquistadors who took their share.

That keep calling me,
They keep calling me,
Keep on calling me,
They keep calling me...

O que ouvirei no horizonte do nevoeiro?...

Thursday, August 17, 2006

Espreguiçar

Passos que soam fortes
Na pele do destino...
Estão cobertos de espuma
A circunscrever o futuro das florestas...
Abertos ou rasgados, voam no alto
Dos montes,
Velas acesas...

Viagem do puro prazer
Da Alma cigana...

Perceber a minha linguagem é árduo...
Pingar no meu orvalho é doloroso...

Mas eu vou...
Voarei nas desconhecidas queimaduras do gelo
Que não ousam penetrar...
Irei lá ao fundo
Onde a chama de mim serenará...

Uma questão do sopro se espreguiçar...

Saturday, August 12, 2006

O que é mais glorioso, Amar uma mulher ou dar uma sopa de legumes a um pedinte?...

Thursday, August 10, 2006

Trepadeira

Não entendo,
simplesmente não entendo.
Não é que não consiga sentir
este calor abafado a percorrer meu corpo,
não é isso que me faz flutuar nos sentidos.
São as paredes imóveis,
que não têm nada de estagnação,
reflectem para onde desejam,
ficam mudas nas suas irregularidades.
Não penetro onde não me querem,
certas audácias
não são permitidas
para eu pintar tantas cores.
Sei que os dias ficam
mais curtos a vislumbrar
o contorno das paredes.
Efeito Outonal com certeza.
Por vezes em salpicos,
vejo trepadeiras que se agarram nas pedras enroladas.
Paredes de vidro num opaco transparente,
linhas verdejantes com troncos finos,
quebrados pelo tempo
mas erguidos na modéstia.
São assim as paredes que me deixam confuso,
mas tão perplexo
que não dá para ter complexos.
O calor do sol na parede
apenas faz secar o belo esboço das trepadeiras,
e no horizonte de pétalas o olhar corre.
Um corrimento que dá para sentir o que não entendo.
E pergunto-me o que eu não entendo?
Não entendo o Verão,
porque simplesmente Amo o Outono.

Tuesday, August 08, 2006

Fumo da Chuva

Ancorei no último fôlego
Num suspiro gemido...
Amparei a ventania gélida
Ao largo dum sopro límpido
Em que reconheço a entranha de ti
Ao esvoaçar...
Um canto noctívago
Prolonga o êxtase da mansão,
Endiabrado em chamas,
O fumo da chuva...
Rua...Nua...Lua...

Monday, August 07, 2006

Números

Na cor de estar tudo indefinido só tenho que seguir o que está correcto. Somente o sonho que é meu, a ambição de voar com asas de papel para entrar em chamas, o caminho da sorte... Sei o que sinto, mas já mais nada interessa nesse campo. Faço o mais belo poema de Amor e assim vou marchando para o abismo do sentimento. Tentarei cumprir a última etapa que tenho para fazer. Espalharei as últimas cinzas neste jardim, com as forças de tempestades, com as minhas mãos de asas...E aí serei, e sentirei a flor de arcos. Interessa sentir o futuro nas suas dimensões floridas.
10 - 23 - 32 - 35 - 40 - 47
1- 19 - 27 -28- 41 - 43


Sunday, August 06, 2006

Lembrar os últimos suspiros são caixões abertos na sepultura. Fragmentos de cor e de Alma.

Thursday, August 03, 2006

Acho que é tempo de correr atrás do sopro da solidão.

Wednesday, August 02, 2006

Peregrinar

Correntes de espaços abertos,
Mergulhados nas narinas,
Repouso em searas sem nexo.
Queimando a Alma no perfume,
Ardando sem vontade.
Transbordo naufragado.
Complicadas palavras
Que fecundam a ausência,
Transformo o baú de cogumelos
Num elixir...

Peregrinar a imortalidade...
Ceifo a crina do cavalo...Amo...
Planícies...

Sunday, July 30, 2006

Dó sem Pó

Longe do uivo da minha pele
Borbulho o fantasma da Alma
Rasgando cada cicatriz feita em cruz,
Polindo o cálice da Lua
Na língua do vampiro...
Objectos, Sons, Miragens...
A sombra do esquecimento
Nas escadarias dos violinos ,
Pego na tatuagem de pó
E engulo a saliva sem dó .
Devoro a degolar-me
A teia do reflexo
Dentro de labirintos de folhas secas,
Fora do paradoxo do abismo infernal
O olhar fica distante, escondido...

Friday, July 28, 2006

Convés

Cordas de remos
Degolados na madeira...aldeia...
Cheiro de anestesia
A sacrificar o fumo...
Abana o vento gélido,
No ardor árduo da saliva,
Na transparência oca, molhada nas vestes,
Ardida na devastação
Do odor do mar...

Sou eu a olhar no convés,
A sentir as penas no meu cabelo...

Tuesday, July 25, 2006

Pés Voadores

Movimentos lentos de veias
Neste amargo sabor de boca...
Preferidos ou preteridos,
Escolhidos ou escondidos...
Amostras de folhas
Nos riscos diabólicos da saudade...
É o orvalho a crescer
Onde se ouve palpitar as sementes...
Cresço, e um dia desaparecerei
Com os pés voadores do destino...
...Na montanha...

Sunday, July 23, 2006

Poção (23)

Mergulho nos ramos
Que ardem no corpo...
Estilhaço os dedos dedilhados
Da Alma fervente...
Os espelhos coloridos de bolhas
A queimar o vento...

Sabes como obter uma estrela de chuva?

A poção do tempo
Na mistura de aguaceiros...
Um rasgo de leveza
No olhar enfeitiçado...
O fogo das mãos
Na permuta das brasas...

Sabes como funciona uma ampulheta?

Acreditar, Acreditar, Acreditar...
Que tudo desce no meio da vidraça...
Dois ou Três...Ou ambos juntos...

Saturday, July 22, 2006

Desfile

Hesitei perante a perspectiva da eternidade. O desfile íngreme a tingir estes penhascos, rabiscam o corpo calcinado, em que prendo as amarras soltas. Tenho um ponto, um rosto tão tosco, osso...O sotaque embebido na poltrona do destino. Sou uma névoa de transparências que umas vezes se ouve, e outras não.

Thursday, July 20, 2006

Que forças tenho para enfrentar este dia? A ver vamos...

Wednesday, July 19, 2006

Trovão

Peguei numa cadeira e sentei-me no canto da janela. A noite já ia alta, mas o sono não vinha. Sinto-me a desfalecer sem ebulição, um arder de sentimentos suspensos nos relâmpagos que aconchegam meu olhar. Refugio-me nas chamas do céu que teimam em querer explodir na palma das mãos, e resvalar nas chamas dum tempo ardente. Estou no meio do trovão que cai das nuvens e que dá luz neste sossego atormentado da minha Alma. Pego neste fogo e gelo-me de cicatrizes...
Acorda demónio, ou adormece no leito de espinhos, ou penetra tua Alma com galhos vestidos de tremores...

Tuesday, July 18, 2006

Parabéns

Galopar nas nuvens, ali, aqui...trota, trota, o galope de cabelos soltos. Ao vento do som dançante; canta, canta, canta. Cada arpão que sobrevoa as pisadas dos tempos intemporais. Sente-se os sons das léguas, de espaços apertados a cortar o vento...rasgos fortes de sonhos que chorariam da planta para o vaso, com olhos arregalados a medrar...Quieto e pausado, enche-se canteiros de cataratas, pisadas fortes a rebolar em balões que sobem, descem na pele, adormecem em sonhos de serpentinas...Um turbilhão de segmentos a piscar o remoinho das peugadas...descaem em pingos....Cai delgado no espaço ténue de velas...O brilho da transparência, a lã desfiada em socalcos da imaginação, um corredor de espuma para celebrar o orvalho perfumado...asas de intuição ou perfeição? Parabéns!
E hoje a chuva caiu. Fi-la cair das estrelas...


Sunday, July 16, 2006

Entro e Saio

Entro no espaço vazio...
Entro no calor seco das imagens...
Incertas asas sobre as nuvens...
Impulsos tremidos de ventos...
Alma arrefecida de sons...
Saio das janelas partidas...
Saio molhado de desejo...
Saio para ver a tela...

Friday, July 14, 2006

Misturo

Não mudei. Não tenho por onde mudar.
(Até tenho os lábios abertos)
Sento-me na cadeira
E observo como o pó se espalha debaixo dela.
(O abismo tem dentes afiados)
Rodopio os olhos de encontro à carpete
Rasgando as cores
(Tintas de fumo)
O chão cheios de pincéis Pedem a mão
(Penetro o vento)
Duas cores vêm à memória...Duas...
(Misturo o céu)...

Wednesday, July 12, 2006

Cavalete

O túmulo da timidez chega perto do seu fim...
Abro a campa olhando para o céu de nuvens claras...
Abro as pétalas dum sorriso melancólico...
Alegria da Alma nas masmorras a verter...

Pego na mão para colher a suavidade...
Rasgo o ventre do monstro
Na concha de balões...

Sinto o arrepio do contraditório...

Fantasmas da aguardente
No rosto queimado...
Enigma de espelhos...

Não se dança sobre o cavalete...Queria...

Tuesday, July 11, 2006

Lua

Partido em asas de baloiço desprendido, vai o mar chegar à Lua. Nas ondulações do ventre materno, o desassossego da Alma chega aos patamares do inferno, num som que habita um mundo inacessível das fogueiras que ardem sem nexo. Aperto o nó da garganta para pendurar a foice de lágrimas que desagua da Lua. Este gosto supremo de levantar o decaimento da areia contraria o alçapão levantado. Aberto no olhar das palavras que mergulham em salpicos de estrelas, suga a tela os esboços. São pés nus, pés frios, toques de leveza, riqueza de ramos…Suspenso...
Olhai para a Lua e dizei-me qual a vossa sensibilidade...

Monday, July 10, 2006

Nevoeiro de Lua

Coração de nevoeiro embebido
A expelir cinzas de vidro...
Extrai-se as estrelas do fôlego
Para derramar ampulhetas de sono...

Teoremas de pó florido
Na silhueta destes contornos,
A força da picada esventrada
Para dos pés entornarem neve...

Dos olhos pinga a Lua...
Dos lábios pinga o calor...
Da Alma pinga o ardor...
Chuva miúda rasga a neblina,
No afundar de belas ruínas...

"Um sorriso radiante de raios transparentes, iluminam..."

Friday, July 07, 2006

Flechas...

O portão abriu, deixei-te entrar...
O portão fechou, deixei-te sair...

Quente drama coberto com lama...
Oculto frio que gela o rio...
As flechas mutilam o coração
Como o véu cobre o caixão...

A roupa de ossos...

Sim...estou a falar da Escuridão e da Luz...

Thursday, July 06, 2006

Sei do não sei

Não sei correr sem folhas...
Não sei voar sem cordas...
Não sei borbulhar sem levitar...
Não sei fazer Amor sem mãos...
Não sei dançar com ritmo...
Não sei olvidar os dedos...
Não sei estranhar minha roupa...
Não sei descer sem saltitar...
Não sei como fazer um abraço...
Sei da dor da ausência...
Sei do rio da essência...
Sei da solidão perdida...
Sei do licor perfumado...
Sei ouvir as viagens de sons...
Sei de dedilhar poções de voos...

“Jamais interrompa os cursos das águas”

Sei que sei, que o que sei provém do não sei, e para ser sentido pelo que sei tenho que virar as costas ao sei e fluir pelo não sei...O não sei do sei, o sei da essência...isolado ou atormentado?

Wednesday, July 05, 2006

Intruso

O telhado de violinos tocam nas línguas,
A mão de estaca banha o fogo,
As cinzas de pedra furam falésias...
Sou um intruso não convidado.

Pego fogo ao reflexo dos meus pés
Para rasgar as escamas sem profundidade...
Pego no tempo caótico
E fabrico a insanidade de poemas.

O livro irracional
Dos balões,
Do intruso
Não convidado...

Tuesday, July 04, 2006

Tecto

Olhei para o tecto,
Rasguei a lâmpada das luzes
E num suspiro engoli-me na transparência...

Monday, July 03, 2006

Harmonia

Tenho sorrisos nos meus lábios que furam as planícies das cordilheiras. As peles esticadas em sorrisos moldados, que não sei compreender como se esbatem nas lágrimas. O óbvio da natureza não o é para certos seres, que precisam de aprender a fazer do tempo, o andar para não serem comprimidos.

“A unidade, ao opor-se a si mesma, concorda consigo, tal como a harmonia que sai do arco e da lira” Heraclito

Pode a tristeza ser expressa com um sorriso? Ou estes elementos que continuam a opor-se deixarão de fazer harmonia?...Como dizem os gregos, o grave e o agudo fazem música...

Sunday, July 02, 2006

Cavalos Voadores

Não sei...Sei...
Somente há esperança
Em determindas linhas.
Os contornos da visão esquecida,
Um sorriso embriagado,a magia de trovões,
E a chuva miudinha do sentimento...
Sei...Não sei...
Pego no punhal, e solto-me dos sons muídos,
Perfurando a lareira de estacas...
Coragem de ir ás montanhas geladas...
Quero para poder viver...Quero o calor da vida...
As velas sacrificadas
irão fazer chover relâmpagos...
Sei...Sei...
Estou isolado nos cavalos voadores...

Friday, June 30, 2006

Sémen

Galhos ocos sem verdura,
Crueldade sem requinte de malvadez...
Mar de lama que suaviza a fervura
Mergulhada no tronco... timidez...
Das 4 não passo sem ritmo perder,
Um vazio sem vaso para emoldurar...
Arrombo o alçapão das grades desfeitas,
Sustenho a respiração,
Bailo os pedaços que voaram
Com os lábios agarrados ao meu seio,
Sorvo o sémen derramado...

Thursday, June 29, 2006

Palma da Mão

Vou dizer adeus
Sem partir...
Estender a mão no luar
E enrolar a coroa erguida,
Para depois deixar orvalhar
A minha Alma perdida.
Vou pegar em pétalas
E sorrir...
Prender um suspiro de olhar,
Riscando a palma da mão
No coração...

Wednesday, June 28, 2006

Dança Pureza

Tenho o seio de janelas,
Abertas no rio de pétalas,
No suspiro do cansaço,
A esfregar o punhal de lâminas...
Viro o rosto de encontro
aos vitrais de chamas,
E abro o coração ao resvalar
Da pureza...
As minhas letras voam
Nas florestas negras da minha solidão...
Dança Demónio...

Tuesday, June 27, 2006

Gelo Espalhado

A fraqueza dos caminhos cai nas pedaladas do tempo. Roma ali tão perto e a roda aqui a florescer de escurecimento. Por onde se vira e rodopia, existe as chuvas de pedras que caem no uivo surdo da paisagem. Há certos momentos que os sons do silêncio, dos rasgos sem sentido, das palavras que não saem, dos gestos esquecidos nas asas depenadas, que gira em torno de obstáculos de vitrais fumados...Gelo espalhado pelo mar num barco desgovernado a bolhar, um olhar cada vez mais embalsamado, a montar tendas fragmentadas...Não há remos nesta transpiração, apenas um sono de barbas que não arranha as ilhas desertas. Todos os dias são dias iguais, sem mistura, sem o dom de haver fogos de artifícios. Puxo os cordéis de espuma, liberto fósseis e as velas rompem-se na brisa. Como é possível haver do monte de roma uma onda de telhados estagnados?...E do outro lado fazer a sobrevivência um corte, uma ajuda de fogo nos dedos da mão...A força da dança escondida no meu bolso a centenas de quilómetros de onde uma das minhas saudades fica parado nas penas a esvoaçar...Não consigo...Talvez...Tenho as mãos em gelo.
Matéria de sono adormecido, em que nas trepadeiras arrancadas não consigo olhar para o tecto. As questões de genes que pecam pelas deformações das cores e do seu substrato. O corpo pintado de ferrugem perfuma os pés paralisados a adocicar os paralelos do caminho. Não sei como os galhos conseguem fazer descair os remos das letras simples. Sei somente que os cabelos estão secos da inocência amaldiçoada.

Monday, June 26, 2006

Cinzas perfumadas

O silêncio silencia a mente
Num olhar decadente...
Arranquei em busca de cordas
Para segurar o toque materno,
Encontrei o suor sem aventura...
Se no sol árido
Minha Alma se esfumasse
Já estaria com as cinzas perfumadas...

Sunday, June 25, 2006

...

Pó a voar sobre vento sem destino.
Onde tens as forças Demónio? Onde?...
Vejo-te a cair nas falésias e a segurar cada pedra solta...
Onde guardas a vontade de ir?
Olha para mim Demónio. Vês-me a sangrar?
Pendura-te no vento, no cabelo de espinhos...
Sangra...Sangra...Sangra...
Agora o que sentes? É isso que queres de ti Demónio?

Friday, June 23, 2006

23

Onde puseste as asas, Demónio? Onde rasgaste o cruel inimigo de papel? Que importa isso agora quando já não sabes voar com os teus pés, e nem fogo tens para aquecer o chão donde pisas. Não te incomodes em sentir a música das fantasias eróticas, só dás cotoveladas na dor, no sentido de transpirar a escolha feita. Fixa-te nas paisagens do coração, das profundidades subtis dos rostos sensíveis e do punhal que se espeta nos teus olhos. Isso irá acalmar-te desse desassossego, e fará brotar as raízes que a tua Alma merece. Vem até ao Demónio, ele trará para ti um poço de sensibilidade.

Choveu...

As trepadeiras voaram
Pelas cores das escadarias que penetraram...
Dedilharam a magia do Santo
Em pedaços de janelas que estão sem canto...

Sim...O céu trovejava antes da minha chegada....
Sim...Quando retive a imagem começou a chover...

Na campa isso voltará a acontecer...

Thursday, June 22, 2006

Trémulas Asas

Seguro-me nos arames do tecto,
Num copo de sangue, a espumar…
Salpico esta fermentação
Com espasmos infernais de espinhos…
A melancolia dum sorriso a riscar o som, vazio…
Gracejo em hiatos de sulcos,
Arregalado para sufocar-me de êxtase.

Vem até mim, cresce no dorso do demónio…
A morder a cicatriz da última veia de sede…
A dançar o grito da última janela de vento…
Vem até ti, adormece nas trémulas asas…
A dilacerar o terror do olhar…
A devorar o sémen da natureza…
Vem brilhar esta tela…

Foi-se o dia mais longo do ano.
Que venha a escuridão completa…

Wednesday, June 21, 2006

"O Tempo Que Resta"

E quando as pessoas partem, guardando cada uma os seus haveres, o anoitecer aconchega o corpo, e as cores espalhadas do céu; o mar ouve as gaivotas a pousar na areia..."Só"...Em cima da toalha sulcada nos grãos de areia, os olhos fecham-se, húmidos de felicidades...da barba...da saudade...da vontade de viver...


P.S.: Este país é triste nalgumas coisas. Para ver este filme (O tempo que resta) de grande qualidade é preciso as pessoas se deslocarem à unica sala que tem em exibição neste país (UCI em Lisboa)...Enfim...

Tuesday, June 20, 2006

A viagem...

Aberto entre mundos desconhecidos, as asas moldam os papéis queimados. Até o cheiro das cinzas se penetram por essas fendas buscando o leve sentir do tempo. É como se o ruído de polir transparências, fosse uma forma de celebrar a roda do moinho. Todos os pedaços que fogem em salpicos unem-se em sítios separados da Alma. Sei que não posso fazer muito perante um abismo tão profundo, mas sei que em mim existe espaço para que cada cicatriz se incorpore na escuridão da luz. Por mais que o som seja oco, por mais que os olhos não sentem, por mais que os pés não caminham pelo sítio certo, existe prazeres para serem descobertos no meio dum grão de areia.

Monday, June 19, 2006

Plim...

Pluveja nesta viagem,
Troveja na margem,
Pedaços de miragem em rostos escondidos.
São assim os olhos queimados...

Serras de fogo enjauladas,
Mergulho nas memórias regadas.
Debaixo do solo, a escuridão descalça.
São as cicatrizes do Oriente...

Sons fúnebres ardem
Em olhos estagnados, vazios...fogem...
Corridas em precipícios de aromas.
São as silhuetas do Chile...

Do Alto para o alto do mármore
A essência perfumada das flores.
Rabisco o banco da formosura.
São o dedilhar das mãos puras...

Menina de sorriso tímido
Toca-me as cordas do violino...
A agitação do coração embala-me.
São poções de subtilezas...

Vagueio pelas ruelas brilhantes
Em misturas embriagadas de fome.
Restos de ossadas que tilintam.
São galhos da cidade maldita...

Preencho o poço dos Prazeres
Na mulher de sorriso largo,
Esbocei um corvo no jazigo.
São pisadas de fogo sublime...

Flutuo as veias no abismo,
O céu rasga-se de trovões
Por estar a violar esta terra...
São estrelas de velas...

Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!
Arrggghhhhhh!!!

O doce inferno dum trovão
Da chuva molhada...

Sunday, June 18, 2006

Calafrios

Plataforma de aguaceiros
Mergulhadas na lava do tempo...
A embalsamar meu rosto
A rasgar os espíritos...

Suave nos trovões das esquinas,
Agreste nos tormentos aguçados...
A Alma passeia neste labirinto de olhares...
Pinto o céu de muralhas...

Calafrios de pétalas caídas...

Wednesday, June 14, 2006

Mia Couto

"Primeiro, perdemos a lembrança de termos sido rio. A seguir, esquecemos a terra que nos pertencera. Depois da nossa memória ter perdido a geografia, acabou perdendo a sua própria história. Agora, não temos sequer ideia de termos perdido alguma coisa."

( O barbeiro de Vila Longe )

Mia Couto - O outro pé da sereia

Tirei estes excertos de frases do último livro de Mia Couto, que apenas desfolhei algumas páginas. Não é que concorde com as frases, mas há algumas palavras nestes fragmentos que me dizem algo, como por exemplo: "a lembrança", "o rio", "a terra", "a memória" e "perdido". O essencial do discordar é que a única coisa que importa é se a essência é pura ou não. Se for pura então o rio corre para algum lado, mesmo que seja para a solidão...Enfim...

Monday, June 12, 2006

Aconchego

Por bancos da frescura
Vesti-me na Lua...
Pus o carapuço nos cabelos
E deslizei na água do peito...

Os segredos de vozes miraram-me
Com olhos do rio...
Da intensidade de nomes
Só um havia de me levar...

Do gradeamento mágico,
As colunas erguem-se
No infinito de pétalas,
Na loucura do prazer Lunar...Puro...


(Sempre a Lua, Sempre Ela...)

Saturday, June 10, 2006

Das poucas pessoas que me leêm, comentam, não cometam, fica o meu agradecimento, mas não tenho a intensidade da escrita que desejo e quero. Por múltiplas razões isso acontece, por isso irei publicar coisas minhas com muito menor fluência ( se publicar). Eu sei que deve ser um alívio não ver tantas "asneiras escritas" para algumas pessoas, mas são sentimentos puros por isso pode fazer confusão para essas pessoas. Quanto ao blog não irei apagar como as maiorias das pessoas da blogosfera fazem quando acham que devem terminar ou reduzir os posts, porque acredito que devemos sempre dar o que somos.
Abraço a todos/as!

Friday, June 09, 2006

Para quê?...

Batata e feijão
Não consigo dar...
Devoro meu corpo,
Rasgo os olhos para ver,
Até dos lábios saem cordéis...
Para quê?...Não consigo dar...
E se na ponta da saudade
Houvesse esperança?
Quero adormecer num abismo...
Quero um sopro no meu colo...
Não quero nada...Quero...
Para quê ter alguma coisa?... Para quê?...

Thursday, June 08, 2006

Ninguém te reconhece...

Porque estás a chorar meu doce demónio? Não sabes que não podes criar lagoas a partir do mar? Sinto as tuas lágrimas no regaço das tuas unhas pintadas de negro, correm no destino de veias húmidas que só te trarão dor. Não percebo porque insistes em cortar ventos com foices e pegar em cada pedaço desse sumo de prazeres. Sei que os teus cabelos conseguem absorver toda essa intensidade mas isso preocupa-me. É uma aflição dum dia poderes arrebentar e espalhar teu licor no rio da doçura. Um êxtase que de certa forma me agrada, mas que me deixa impaciente. Tu sabes que essa Pureza só será percebida por ti, não sabes? Sabes que quem tentar violar essa privacidade terá que ser digno da tua Alma? Não sabes, logo vi...Ninguém te reconhece, estás louco...

Cidade Maldita

Arames de sons cegam as artérias,
Estátuas do movimento fundem-se em misérias.
São cabos soltos que perfuram a ansiedade,
São armações geladas da saudade.

Costas dobradas, curvadas ao destino...
Dor imaculada com o traço fino...
Irei voltar à cidade maldita,
Onde o Amor dorme nas asas dos corvos...

Tuesday, June 06, 2006

Embrulho

Que escrituras são essas que estão tatuadas na tua Alma? Transparência de sons, talvez. Não tenho o nó da gravata feito, apenas a escuridão da camisa cobre o meu pescoço, por isso sou opaco nos meus troncos, coberto de borboletas nos seios. No castelo divino destes pergaminhos, rasgam as cataratas desconexas, sem saber se no íntimo da tatuagem os túmulos acordarão. Não encontro os lençóis roxos que envolvem as pestanas, só as tragédias embrulhadas de cada passo que dou.

Corrimão

Frágil enxame de letras
A fumar o esqueleto,
Perfuram os nós
Para encantar as sensações de abraços...

Abandono o medo
E fico apavorado na miséria.
Aberrações deprimentes
Da fúria descontrolada...

São fatias da criação humana,
Como o corrimão que se afunda
Nas baladas das badaladas sequiosas...
O insaciável incêndio da paixão...

Monday, June 05, 2006

Olho...

Não tenho pintado o coração, nem queimar minhas mãos quero, talvez apenas cheirar o chamuscar dos pêlos púbicos. Apenas deixo a respiração esvoaçar nas cicatrizes dos sons que chegam até mim. Rasgos vazios a moerem a escravidão das palavras, num toque da última tristeza que estou a tingir. A natureza é justa em seus traços, correcta na sua forma de agir, e justa no seu castigo. Mas acima de tudo, vivo acima disso, sou asas a pingar salivas de desejos até que o pólen transborda nestas brasas e gele o coração do prazer. O medo de saltar este abismo para o portão imaculado que está vidrado de flores, o caixão dos loucos, a pétala da essência, está na esquina...Olho...

Violino

Fecho o lenço ao lençol,
Como a flauta faz ao vento...
Dos rabiscos encravados na pele,
Ponho a música do alento...

Nos grãos de areia montado,
Seguro os pés tristes, colados...
O nu descalço das notas de sereia,
Inundam o mar de sangue...

A brisa melancólica dum violino...

Saturday, June 03, 2006

Sem sentido

Por dentro da história deixei de ter memória.
Rasguei pântanos de musgos
Por desvio de olhos ocos...
As lágrima florescem derretidas na jóia

Caem folhas, Caem folhas,
De cinzas se cobrem...
Crescem olhos, Crescem olhos,
Curvados da cor dispersiva...

Dia do Dia,
Que mia, já não ria...
Sorria quando abria e via...
Tossia nessa alegria...

Friday, June 02, 2006

Opaco

O mundo olha na transparência
Do fundo opaco...
Meu olhar cai nos meus lábios,
Secos por falta de esperança.
Não vejo ninguém, somente a mim...
Dói-me o que sou,
Sem razão aparente...
Gelado de emoções, esgotado...
Valsas sem nada em redor...
Apenas penas a esvoaçarem...

Brotará

Vou fazer uma exposição de arte. Irei esculpir a minha presença em tons de roxo, do tecto cairão sinos, do chão brotará pó...Não espero ajuda de ninguém para tremer de prazer, nem porventura um olhar fugidio de espanto. A solidão do quadro rejuvenescerá as gotas de água, pautado naquele sentimento da escuridão de luzes. Pingará sons de orvalho nesta tela, embalado numa lua cheia.

Thursday, June 01, 2006

Clarim Surdo

As garras do espinho
É uma imagem de rosto adormecido...
Passarão anos sem ninho
Com a incisão do corpo estremecido...

Tempo sem fim
De pontinhos,
A ser infernizado pelo clarim,
Aconchegadinhos...

O espelho não tem imagem...
Saudade...Saudade...Saudade...
Nevoeiro de sombras...
Utopia...Utopia...Utopia...

Wednesday, May 31, 2006

Vivo

O homem invisível foi queimado vivo.
Derramou as vísceras,
Cortou os pulsos da memória,
Abrindo o ventre sem glória.
Choveram finalmente brasas do céu,
Gelando, trespassando o mutilado veú,
Penteando as cortinas das trevas
Em espinhos no mar cheio de selvas...
O homem invisível beijou suas cinzas.

Tuesday, May 30, 2006

Saliva

As gotas de sangue estão penduradas,
Dentro da saudade desmedida...
Puxo a espada de pincel
Para dilatar a compressão...
Fervo os cogumelos destemperados
Que cortam esta anestesia...

Separo a seiva desta poção mágica...
As fendas da saliva que bebem a nostalgia...
Apenas olho minhas mãos...

Monday, May 29, 2006

Futilidades

Onde estou não há vulcões,
Somente um coração a olhar
O pé cheio de erupções...
Sangra o sangue do mar...

Corre as lágrimas de licor
Pelas pedras do mármore,
A eternidade de dor
No manto do Altar-Mor...

Febre do sonho acabou
No canto da febre...
"Por Agora" não dou
O que não reabre...

Há esboços muito frágeis...
Só digo futilidades, mas são minhas...

...

Morreram as minhas meninas...
Secaram neste calor...
Nas mãos da chuva, a ilusão caiu...
Nada dura ao meu olhar...
O rosto desabou no chão
Neste inferno...
As palavras não definem minha dor...

Saturday, May 27, 2006

Longe

Pintei a selva do meu corpo...
Torci a dor com a sede...
O baú dos tesouros está escondido,
Na falta de água, na floresta densa...

Atrair a transparência do prazer
Já é uma aventura...
Um licor de cheiros
A neblina de masmorras, sinto...

Paraliso o meu corpo
Porque olho para longe...
Deixo uma aranha passar na minha mão,
Ela faz-me baloiçar...

Friday, May 26, 2006

Miragem

Tenho demasiada areia do deserto
Um lago de pedras sugadas
Miragens...Miragens...Miragens...

Tinta

Este calor está a dar cabo de mim. Não consigo reflectir, o raciocínio dilui-se no ar seco, o pó levanta-se sem que o vento sopre. Estar afogado em espirros constantes, num som que faz eco, uma reprodução que rasga os ouvidos. Uma tela que sai do labirinto, para que na escuridão se afogue em sentimentos. Sai das mãos a essência, a tinta, o pó...Que venha a noite para subir as emoções das sensações suaves.

Thursday, May 25, 2006

Monte de Peugadas

Sentir a Solidão raramente foi algo que me preocupou.
O que me inquieta é ter alguém ao meu lado.
Há sempre peugadas na Solidão.

Grãos de Areia

Um fio de rio da areia espreguiçada a descair nos dedos levantados ao alto, é o que este anoitecer me faz acariciar. No altar mora a espuma desconhecida sulcando miragens de castelos feitos por crianças. Estremecidos nas conchas o vento não pára de bater, a rasgar as curvas destorcidas, a pulsar de emoção. Os grãos de areia são arranhados pelos dedos frágeis que caem, e se afundam na humidade do vaivém das águas do mar.
Risco no céu dourado, cores espalhadas no horizonte, na Rua da meditação, na inocência quebrada, no licor que derrete em céu de mar. Envergonhado pela timidez dos contactos, o rosto volta às profundidades do areal. Arranco grão atrás de grão, escavo tão fundo que deixo de ver a minha mão. Remexo docemente em solo duro, repousando o resto do corpo de lado, estendido, para o castelo. Fico com as cicatrizes, somente com elas, agarrando o meu peito do ardor duma gargalhada. Atordoados frutos da minha mão que se inclinam neste altar, escorre nos cabelos, nas costas, para dentro de mim...Fogo agreste...
Permaneço no esplendor das coisas mais simples, nos actos que em si são mais puros. Roubo a imagem à natureza, ou apenas um pequeno empresto, não o sei. Sei somente que dos frutos do fruto não pode não florir a semente. Só irá nascer um novo amanhecer, e depois um anoitecer. Esse é um dos ciclos das mãos. Não posso tocar em toda a areia, só ela é que pode tocar toda em mim.

Wednesday, May 24, 2006

Salpicar

Força de saltar para dentro das asas ganha forma. Um encosto que adormece nesse leve batimento, a salpicar a coloração do demónio. Vejo o céu aberto nesta epidemia de pétalas, como uma ponte a transbordar de luzes. São brincos a brilhar neste arco, num cair de setas envenenadas, estremeço no vento a voar com as penas do desassossego. Só, sempre só...

Enfim...

Tuesday, May 23, 2006

O Homem Atlântico


"...Continua também esta exaltação que me vem por não saber o que fazer disto, deste conhecimento que tenho dos teus olhos, das imensidades que os teus olhos exploram, por não saber o que escrever sobre isso, o que dizer, e o que mostrar da sua insignificância original. Disso, sei apenas o seguinte: que já não posso fazer nada a não ser suportar esta exaltação a propósito de alguém que estava ali, de alguém que não sabia que vivia e de quem eu não sabia que vivia, de alguém que não sabia viver, dizia-te eu, e de mim que o sabia e que não sabia o que fazer disso, desse conhecimento da vida que ele vivia, e que também não sabia que fazer de mim..."

O Homem Atlântico, Marguerite Duras

Flutuar

Fixo o olhar nas palavras,
No rosto torcido da saudade...
Longe dos cabelos perfumados,
Encosto-me ao fogo...

O silêncio flutua,
Não posso olhar o vazio,
Não posso tocar o beijo,
Escolho a escuridão da Lua...

Sei da lei que serei rei...
Dum pó de sangue,
Da água com perfis de escravidão.
Pescoço com osso...

AAiii

Hoje acordei a sofrer
Com uma lágrima nos lábios,
Torci o corpo nos lençóis
E abracei a pele nua de rios...

Deixei o vento entrar
No canto das costas,
Só um pouco, porque
Não queria humedecer...

Queria escorrer a lágrima
Para o fundo do poço,
Entrar na minha escuridão,
Penetrar-me neste gemido...

Monday, May 22, 2006

Abismo

As masmorras dos pés que marcham roçam na minha pele. Estou morto de vontade de sugar a terra, o odor da cor, a doçura das pétalas, o rosto desfolhado. Se na mistura das grades houvesse um espelho de sangue que perfurasse cada pegada, a imagem iria ser espalhada sem destino.
Estou convencido que só se quer provar um pouco, apenas para sentir a abstracção doutro ser. O tempo afunila a sua espessura sem deixar entrar na verdadeira essência. E na Alma os sentidos mantém-se intactos, para dedilhar as arestas, não da pureza, mas dos cantos do abismo que fazem viagens. Quando não se pega em troncos que da sua casca moram cataratas é porque simplesmente tudo são cinzas, ou o chorar da água não foi feito para desabar em nenhum poço…Enfim…

Pó Branco

Desvio as cortinas, sinto as mãos...
Abro a janela, vejo um poço...
Os olhos cruéis despedaçam-se
Em veias de raios...

Profundidades de madeira sem sentido,
Escapo de visões fúnebres...
Palpitar, degolo-me de prazer
Exaltando as raízes de nuvens...

O pó branco desce para se
Agasalhar nas paredes húmidas,
Segrego o isolamento,
Da pureza florida...

Friday, May 19, 2006

Pequenas Maravilhas

Link

Engoli

Sento-me aqui, sento-me ali...
Aqui não sinto...
Porventura estarei ali...
Engoli o que li...
Perdi as margens de ti...
Dilema do covil
Escondido do meu ser senil...
Dispo-me ali, dispo-me aqui...
Vi...Vi...Vi...Venho-me...

Thursday, May 18, 2006

Pétalas

A mera ilusão de fazer crescer uma flor dentro de mim não passará disso. Somente uma imagem da miragem que penetra na visão do inconsciente dum sonho. Os sons da melodia de mim é escavar sem destino, ou seja há coisas que não foram feitas para nascer. Quanto mais se escava mais sinto que essa libertação é em vão. Liberta-se sentimento e não obtemos sentimentos de volta. A ausência existirá até ao último fôlego aliviar o zombie. Rasgos de nevoeiro são os fantasmas da busca insaciável, a contornar labirintos em que o ponto final é o ponto de partida. É como no filme CUBO. Aprendo que o cair é sempre o ponto mais alto, e o levantar o ponto mais fúnebre. Estas notas pautam e pautarão sempre estas linhas, a rodearem esta viagem. Não tenho o que as pessoas desejam porque tenho somente a mim. Pouco, muito pouco, mas que para mim é o meu único alimento. A escrita torna-se dúbia, abstracta...Como sempre, sem sentido.

Madeira

Poços de madeira são as mulheres.
Incham os olhos de espanto...
Rasgam e raramente penetram...
Sangram ouvindo o silêncio...

Não tenho nada para oferecer
Daquilo que verdadeiramente querem...
Apenas deixo escurecer
A ausência da viagem...

Tudo é mera ilusão...

Wednesday, May 17, 2006


















DarkViolet Esboço

Cores... Aonde?...
Felicidade...Porquê?...
Misantropo...Despido?...
Respirar...Morrer?...
Coração...Escavar?...
Dançar...Queimar?...
Só...Amar?...

Hospício

Enigma do santo canto
Que mergulhado se encontra cortado.
Palpitar do ser plantado
Num hospício dum recanto.

Só, olhos tristes embebidos...
Pó, voz rouca em tecidos...
Dó, dos pés esquecidos...
Mó, ceifa de sons retidos...

Tuesday, May 16, 2006

Altar

No altar dos Himalaias...

Não sei se há flores em canteiros despidos...
Não sei se o perfume das asas chega aos céus...
Não sei se as lágrimas da chuva são vitrais...

Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...

Não sei se os olhos estão cegos...
Não sei se há vontade em mim...
Não sei se há força feita de aço...

Sei que existe uma silhueta no cordel da memória...

Monday, May 15, 2006

Novelo

Desmorona o castelo
De fantasmas com estandartes...

Sopra a desmesurada cratera do coração
Afunilada na vertigem,
Ouvindo o palpitar do rastejar
Nos escombros vibrantes da imagem,
Decepo os ossos a tocar
Cordas ocas de emoção...

Visionar pedaços de arte
Peço um novelo...

Friday, May 12, 2006

Hurricane Moon

Dentro das tempestades cai a chuva,
Dentro do fogo rebolam as brasas,
Salpicos inflamados de murmúrios
Num uivo de luz...

Estranhas fontes que serenam
O derramar da cera de pétalas...
O perfume imerso, trémulo...
Os gritos fazem ranger as velas...

Carvão, sedução...
Transpira o ar de prata...
Cadência do céu a olhar
Espaço a enfeitiçar...

Planície

Os horizontes penteiam-se de pastagens
Para o véu de sangue cobrir os pés...
Galopo sem vista, coberto de viagens
Rasgando a suavidade dos pés...

Frio gelado da memória a dançar
Em pingos de pedra no chão,
Em vazios de vastidão...

Ancorar nos ferimentos que virão
Martelo o descascar da pele
Dilacero a Alma das planícies...

Thursday, May 11, 2006

Mongólia

Dúvidas

Não sei...Porventura...Talvez...Mas...

Os troncos abrem-se,
No calcar dos pés feitos de pó...
A estaca penetra,
No derramar da seiva feita de pó...
O cálice degolado
Esfrega-se no pó...

O olho cai na solidão da tinta...

Wednesday, May 10, 2006

Carlos / Me

Carlos - Estás com os olhos de quem apanhou uma...
Me - Quem?! Eu?!
Carlos - Sim. Não enganas ninguém.
Me - Eu não.
Carlos - Tens sim. E foi numa barraca...
Me - Qual barraca?
Carlos - Aquela barraca...
Me - Qual?!
Carlos - Aquela donde vendem shots...
Me - Ahhhh!!! (Olhar de quem nunca viu um shot à frente) ...

Cruzes

Violentos olhos que pingam
Na avalanche de rochas...
Escurece o dourado
Dos pés que voam...

Cicatrizes de fogo,
Cruzes enterradas,
Papéis de tinta
A esvanecer os sons...

O tilintar de mãos frias...

Monday, May 08, 2006

Lençóis

Acordei à noite...
Acordei de noite...
Dormi acordado em cima do ombro...
Deixei os olhos nos lençóis...

Furei o tempo...
Agreguei os poros...
Soltei o licor...
Derramei a leveza...

Dormi de dia...
Devia...
Invado os pés...
Penetro o toque vazio...

Friday, May 05, 2006

Anoitece no amanhecer

Anoitece nas águas do lodo
As raízes torrencialmente levantam o inferno...
O beco vazio separa-se
Linhas rectas sem aflição...

Pergunto donde estou...
Pergunto para onde vou...
Pergunto o que sou...
Pergunto à resposta...

Amanhece na terra do gelo
As árvores pingam do céu...
O corredor de chamas funde-se
Nos labirintos do sofrimento...